SupreMa: “O Nordeste definitivamente não é carente de heavy metal!”

A banda SupreMa está em plena comemoração de seus 10 anos de carreira, e para não deixarmos essa proeza em branco em nosso site, A Ilha do Metal, por meio de nosso colaborador Gabriel Souza, entrevistou o guitarrista Douglas Jen, que nos contou um pouco sobre os fatos mais recentes da banda e declarou também sua paixão pelo público nordestino.

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A Ilha do Metal: Nesse ano (2014) a banda completa 10 anos de carreira, os fãs podem esperar algum tipo de comemoração ?

Douglas Jen: Olá amigos da Ilha do Metal, muito bom falar com vocês! Pois é, completamos 10 anos de carreira e com muitas histórias a contar, muitas conquistas e um trabalho duro feito com muita dedicação. Tantos fãs pelo Brasil e pelo mundo, uma galera que nos manda energia boa diariamente e queremos retribuir todos eles com algo especial. Temos muitos planos para a comemoração destes 10 anos, mas ainda não podemos dizer. Temos alguns “presentes” aos fãs do SupreMa e em breve postaremos no novo site da banda.

AIDM:Traumatic Scenes” é um álbum conceitual baseado no filme “O invisível” (David S. Goyer), a decisão de basear um álbum neste filme foi feita por quem? E porque escolheram este filme?

Douglas Jen: Quando eu estava escrevendo as letras e músicas do “Traumatic Scenes”, ele ainda não era um álbum conceitual sobre o filme. Todas as letras tinham uma direção e falavam sobre coisas obscuras e escondidas dentro da mente humana e quando eu assisti ao filme fiquei impressionado como ele se relacionava com todas as minhas letras. Fiquei chocado na hora e vi que o track list do CD era praticamente a mesma cronologia do filme. Finalizei então o álbum com todos conceitos que havia formado e seguindo a história do filme como background.

Não é uma narração exata, porém mostramos um outro lado da história e todos sentimentos ali implícitos como raiva, ódio, e também amor, memórias, saudade, chegando aos pesadelos, visões e perturbações. As letras se relacionam com o filme assim como os clipes, o cenário e o figurino da banda. Tudo está ligado e quem for atento às letras e comparecer ao show verá como cada peça se encaixa nesta trama.
Foto por Stage Photo Press (10)

AIDM: “Traumatic Scenes” foi um álbum bem aclamado no exterior, vocês já possuem alguns fãs por lá? Tem planos para uma tour fora do país?

Douglas Jen: Sim, foi muito bem recebido pela imprensa e pelos fãs dos Estados Unidos e da Europa. A imprensa nos deu ótimas críticas do álbum geralmente acima de 8,5 ou 9,0 e os fãs sempre nos escrevem perguntando quando a banda estará em tour internacional. Temos planejado uma tour fora do Brasil há alguns anos, porém nunca fomos porque não era a hora certa, o disco não havia sido lançado e não fazia sentido viajar para longe sem um trabalho pronto. Agora todos os interessados que estiveram em contato conosco nos últimos anos estão nos ajudando a desenhar isso e com muita cautela estamos vendo como vai ser o melhor planejamento para levar ao exterior a grande estrutura que temos nos shows do Brasil, pois queremos levar aos fãs gringos a mesma qualidade que levamos em todo o Brasil, pois aqui colocamos na estrada nosso equipamento, nosso cenário, nossa equipe, já chegamos a viajar 8.000km dentro de uma van para poder levar toda estrutura a estados do Nordeste por exemplo, e queremos chegar no exterior com o que temos de melhor.

AIDM: O Clipe de “Fury and Rage” já foi exibido algumas vezes na TV brasileira, vocês tiveram uma boa repercussão por conta disso? Como foi a gravação deste clipe?

Douglas Jen: Com certeza! O clipe chegou às TVs recentemente e já temos tido bons resultados. Chegou também a alguns canais gringos e estamos começando a receber este feedback dos fãs!! O clipe da “Fury and Rage” é a coisa mais insana que fizemos na carreira. Na verdade desde março/2013 temos trabalhado no roteiro e as filmagens foram feitas em julho e novembro/2013! Fizemos um trabalho bem cuidadoso, é a maior produção que o SupreMa já fez em toda carreira! Produzimos com a Nevasca Filmes que é uma gabaritada produtora que trabalha com inúmeros artistas e empresas mainstream como Naldo Benny, João Neto e Frederico, Rick Bonadio, Micael Borges, Manu Gavassi, The Vampire Diaries (RTA Global) e também já trabalharam na produção do programa Pânico na TV (RedeTV e Band). É uma imensa satisfação trabalhar com caras deste nível e desde a primeira reunião quando apresentei as ideias do clipe e a letra e áudio da “Fury and Rage”, os diretores piraram e abraçaram a banda. Pensamos em mil coisas e eles fizeram tudo isso se tornar real.

Tivemos cuidado com cada parte da produção, desde as locações, maquiagem, figurino, escolha da atriz e os equipamentos de filmagem. As locações são incríveis, Joanópolis e Paranapiacaba são cidades lindíssimas e as filmagens ficaram animais. A atriz selecionada foi a Mayra Moura, que fez uma interpretação impecável da personagem “Serena”, tanto em seu lado cotidiano quando em seu lado possuído. É praticamente um curta metragem inserido dentro de um vídeo clipe de banda. E a história como sempre, é uma viagem surreal onde “Serena” que é uma garota de uma cidade pequena começa a ser atormentada por algo, e no meio da trama cai em um mundo paralelo e surreal possuída pelo seu lado negro. Ao final ela tem que tomar uma decisão pesada para sair disso e você pode conferir a seguir:

AIDM: Vocês já dividiram os palcos com os maiores nomes da música pesada no país como, Korzus, Krisiun, Shadowside etc… O que vocês aprenderam dividindo o palco com essas bandas?

Douglas Jen: Não somente com estas grandes bandas, mas também já dividimos o palco com atrações internacionais como Blaze Bayley, Evergrey e Primal Fear. Cada show é um aprendizado e por mais que você tenha longos anos de carreira sempre terá o que aprender no dia-dia. Desde nosso primeiro show procuramos prestar atenção em tudo o que as outras bandas faziam e hoje em dia não é diferente. Se a banda tem mais tempo de estrada que nós ou se é uma banda novata, sempre ficamos atentos da mesma forma à estrutura, performance, set list, interação com o público e inovações. Creio que quem já se julga bom o suficiente e não precisa aprender com os outros, esta pessoa caindo e feio uma hora em sua vida, e nós sempre estaremos atentos a todas as bandas para aprender com elas. Eu mesmo diariamente aprendo com meus alunos e também com meus ídolos, temos que estar sempre abertos a coisas novas.

AIDM: A banda também faz muitos shows pelo nordeste brasileiro, o que vocês podem nos dizer sobre o público nordestino, que é tão carente de grandes shows de metal?

Douglas Jen: Eu não vejo esta carência que algumas pessoas dizem, isso é mais papo de galera que mora em grandes capitais e mal conhece a riqueza que é o Nordeste brasileiro. O Nordeste definitivamente não é carente de heavy metal! Não tem como dizer que o Nordeste é carente de eventos quando existem mega festivais como Palco do Rock (Salvador-BA) que reúne mais de 8.000 pessoas na praia durante o Carnaval, Abril pro Rock (Olinda-PE) que todo ano leva bandas internacionais de peso, Ceará in Rock (Fortaleza-CE) que já teve inclusive Tarja Turunen, tem o circuito Rock Cordel que ocorre em Vitória da Conquista (BA), Maceió (AL), Recife (PE) e Teresina (PI); e mais uma bela lista. Paul Gilbert e Russell Allen vieram ao Brasil recentemente e passaram pelo Nordeste e eu poderia escrever uma lista imensa com tanto evento expressivo que existe por lá. O que posso dizer é que o Nordeste é um celeiro enorme de ritmos e também de bandas de nível altíssimo. O público é insano, fiel, compra o CD, canta sua música e vai ao show. Não é para menos que fomos 6 vezes para lá e não vejo a hora de estar novamente ao lado de nossos fãs nordestinos pra tirar uma résenha sem fuleragem com os cabra do rock de caveira! (a galera do sertão me entendeu…)
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AIDM: O baixista Fabio Carito recentemente fez uma participação especial no show de lançamento do álbum “Rise of Insanity” da banda paulista No Way. Qual artista internacional e um nacional vocês chamariam para uma futura participação especial, podendo ser em um futuro EP, álbum ou show?

Douglas Jen: Sinceramente isso não é algo que temos como meta ou ficamos fissurados em fazer um dia, eu creio que as coisas rolam naturalmente. Você tem que se preocupar com a carreira da banda, com a parte administrativa, fazer boas músicas e conquistar seu público independente de participações especiais. Pra mim, este lance de participar de um disco tem que ter uma história por trás, no “Traumatic Scenes” mesmo tivemos várias participações de amigos nosso que conhecem bem a banda e que estiveram ao nosso lado desde o início da carreira, e o álbum veio com uma vibe bem pra cima por causa disso. Creio que colocar um nome internacional num CD só para “constar” não é algo que faremos um dia. Se rolar uma participação teria que ser de alguém que admiramos e/ou viramos amigos, alguém que se importe com a banda. Por exemplo no ano passado fizemos shows com o Shadowside por algumas cidades e no final subíamos no palco para uma Jam, era uma celebração daquele momento das bandas, todos nos palco se divertindo e proporcionando ao público um momento diferente. Estamos abertos para qualquer participação seja em show ou CD, mas não meramente por acontecer, em primeiro lugar o cara ou a banda tem que curtir o SupreMa e se divertir conosco.

AIDM: Muito Obrigado. Sinta-se livre para deixar uma mensagem para os fãs da banda.

Douglas Jen: Obrigado pelo espaço! Fiquem atentos ao site e links da banda pois em breve postaremos novidades sobre a comemoração dos 10 anos e também a nova agenda de shows! Nos vemos pela estrada!
16 - Foto por Irisbel Melo

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Tags: Metal BR, Metal Nacional, SupreMa

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Sobre o autor:

Eduardo Escobar:
Paulistano, trabalha com TI e é um eterno estudante de Ciência da Computação. Vocalista nas horas vagas, foi iniciado pelo Iron Maiden há muito tempo, curte Futebol, Truco, Poker, Stoner/Sludge/Doom Metal mas não dispensa bandas de outras vertentes. Aqui na A ILHA DO METAL, é responsável pela parte administrativa do site, mas também publica conteúdo.@eduescobar Facebook

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