Lothloryen: “A ideia é sempre inovar e exprimir aquilo que sentimos”

Formado em 2002 o Lothloryen desde o seu inicio mostrou o que o Brasil é capaz de fazer e que podemos impressionar e até superar os grandes pólos do metal. Tendo 03 trabalhos de ótima qualidade e aceitação incondicional dos fãs e mídia especializada, vemos agora em seu quarto trabalho o álbum Raving Souls Society – 2012 Shinigami Records, um Lothloryen ainda mais maduro técnico e com um direcionamento diferente do seu trabalho anterior Some Ways back no More – 2008 Die Hard, mostrando que mudanças podem ser sempre bem vindas.

 

A Ilha do Metal: Temos hoje o Lothloryen mais pesado com um direcionamento e versatilidade maior para suas composições, vocês acreditam que essa transformação será constante, ou com este novo trabalho isso se transformará em um padrão de sonoridade?

Daniel Felipe: O que é constante é a transformação (risos). Isso porque não vemos como definir um padrão industrializado do que pretendemos fazer em termos de música. Claro que alguns conceitos estão presentes desde o início do trabalho, como alguns riffs que se originam do folk metal, entre outros elementos. Mas a ideia é sempre inovar e exprimir aquilo que sentimos.


A Ilha do Metal:
Com a entrada de Daniel Felipe nos vocais o grupo adquiriu um novo direcionamento, alcançando peso e versatilidade, como foi que chegaram até ele?

Leko Soares: O Daniel já era um grande colaborador da banda. Ele foi responsável pela gravação de todos os backing vocals do cd anterior (Some Ways Back no More – 2008) e sempre que rolava, ele participava de alguns shows com agente, seja fazendo os backings ou cantando algumas músicas covers. Enfim, quando o Léo saiu da banda, a escolha mais óbvia e natural foi o Daniel, pois já estava próximo da banda e pelo que me lembro, nem chegamos a pedir pra ele entrar na banda, quando vimos ele já tava lá, (risos).

Daniel Felipe: Eles ofereceram alguns gorós, depois mais… e a coisa foi fluindo (risos)


A Ilha do Metal:
Ficamos sabendo por outras entrevistas dos problemas que levaram o vocalista Léo Oliveira a sair do grupo, hoje vocês ainda mantém algum contato com ele?

Leko Soares: Infelizmente, não. A saída do Léo da banda foi traumática no sentido de que foi algo necessário tanto pra ele quanto para nós, mas não era algo que ele queria totalmente. Portanto, a nossa decisão após a saída dele, foi de nos afastarmos para ver se estando longe do cara, ficaria mais fácil para ele aceitar estar fora da banda. Mesmo longe tentamos ajudar ele várias vezes, mas infelizmente, certas coisas estão bem além da vontade externa. Ainda torcemos muito para a recuperação do Léo, não musicalmente falando, mas como pessoa mesmo.

A Ilha do Metal:Neste novo trabalho a loucura foi o tema que girou em praticamente todas as faixas, como foi o processo de pesquisa, era algo que vocês já tinham interesse ou foi algo que foi amadurecendo e se conhecendo com o tempo?

Daniel Felipe: A loucura já estava presente em alguns trabalhos da banda, de onde é possível dizer que foi algo amadurecido de forma sutil e até subliminar, mas este álbum, por ser conceitual, demandou uma pesquisa maior.
Com isso, deixamos inúmeros temas e personagens interessantes de fora, porque, infelizmente, não cabia tudo em um só CD… Selecionamos aqueles que encontramos possibilidade de trabalhar musicalmente com a ideia de som que pretendíamos fazer neste álbum.


A Ilha do Metal:
Raving Souls Society foi feito em sua maioria novamente no estúdio Casanegra em São Paulo, sendo que o mesmo estúdio é também utilizado na produção do álbum anterior, podemos considerar que o Casanegra estúdio’s seria a segunda casa do Lothloryen e que mais trabalhos poderão vir de lá?

Daniel Felipe: Sim! O Lopes, com seu “divinorum” conhecimento, abrigou-nos a todos, desde o início do “Some Ways Back no More”, e tem um método que estimula a criatividade e apresenta compromisso com a sonoridade almejada. Ele ajuda demais e trabalha constantemente para lapidar o som!

Leko Soares: Conheço o Lopes desde 2007 e com certeza ele é o sétimo integrante do Lothlöryen hoje em dia. Acho que foi essencial na sonoridade que atingimos nesse novo álbum e o melhor de gravar no Casanegra é que não existe tensão. Tudo é feito ao seu tempo, da maneira mais cuidadosa e tranquila possível.

Daniel Felipe: Não dá pra dizer, ainda, se algo futuro sairá de lá novamente, mas qualquer trabalho que lá se realize já está na trilha da satisfação para os músicos envolvidos.


A Ilha do Metal:
Como foi trabalhar com os convidados (Heverton Souza, Helena Martins, Chrystian Dozza, Anderson “Bardo” e Augusto Lopes) e de que forma isso acabou acontecendo?

Daniel Felipe: Divertido! Todos são conhecidos. Alguns mais antigos, outros mais recentes, mas de modo que rolou uma afinidade tão ímpar, que sentíamos que poderiam mergulhar na sensibilidade de cada música que idealizamos para eles.
O Lopes já queria participar de algo desde que começamos a gravar, o Heverton foi um convidado interessadíssimo e com uma assinatura vocal ímpar praquele momento da música, assim como a Helena, que tem um timbre singular e unicamente capaz de expressar a personagem Polia, na música Hypnerotomachia.
Já o Anderson Bardo e o Chrystian são velhos e queridos amigos, de talento extremo, que deram um ar mais intimista e criativo pras músicas, com suas cordas mágicas (risos)

Leko Soares: De novo, demos uns gorós pra eles e eles toparam (risos).


A Ilha do Metal:
Este trabalho inicia a parceria com uma nova gravadora Shinigami Records, o que levou a saída da Die Hard Records?

Daniel Felipe: A Shinigami não é uma gravadora preocupada em apenas estampar o selo de mais uma banda. Compromissada, inovadora e interessada, seu trabalho é um marco diferencial e positivo pra divulgação da banda, uma verdadeira parceira!

Leko Soares: Consideramos como a nossa luz no final do túnel em termos de Brasil. A Shinigami nos tratou sempre com total respeito e fé no nosso trabalho. Graças a eles, tivemos os seis meses mais intensos de toda a carreira da banda em termos de repercussão de um trabalho.
Sobre a Die Hard, na verdade, nunca foi nossa gravadora. Trabalhou conosco mais como uma distribuidora, mas, por mais que o selo tenha muita credibilidade, não nos ajudou a dar nenhum passo adiante e infelizmente o “Some Ways Back no More” é até hoje o nosso trabalho mais obscuro e menos conhecido por parte de mídia e público.


A Ilha do Metal:
Vocês estavam com uma turnê européia preparada para o inicio do ano, mais ela acabou sendo adiada devido ao pequeno atraso no lançamento do Raving Souls Society, essa espera tinha o intuito de dar ao álbum um pouco mais de visibilidade por lá antes de vocês irem. Hoje como esta a receptividade deste álbum por lá e vocês consideram que esta decisão foi a mais acertada para o grupo?

Daniel Felipe: Totalmente acertada! O resultado do trabalho aqui no Brasil tem sido extremamente positivo. Teríamos perdido esse tempo com uma viagem naquele momento e não colheríamos os frutos em nossa própria casa.
Hoje, após termos tocado em diversos Estados do Brasil, incluso com shows ao lado de nomes fortes do Metal, sentindo uma receptividade maravilhosa do trabalho, temos mais certeza que adotamos o caminho certo.
A partir de agora é que iniciaremos alguma propagação do trabalho para fora daqui.

Leko Soares: Nosso objetivo é encerrar a tour do Raving Souls Society na Europa em 2013. Porém, dessa vez, só vamos divulgar essa tour com certeza, quando tivermos com as passagens compradas e de preferência, dentro do avião (risos).


A Ilha do Metal:
Como andam os projetos paralelos ao lançamento do álbum, como a turnê européia, a revista em quadrinhos da banda e a sua cerveja.

Daniel Felipe: Muito bem! Afinal, o metaleiro é um beberrão nato e goró ainda não dá pra fazer “download” (risos).
As linhas de hidromel e especialmente da cerveja traduzem bem a cara da banda e fazem parte de nosso cotidiano de estrada e shows. O público é sempre ávido por novidades e pretendemos sempre aumentar sua sede com isso.
Os quadrinhos também foram uma vertente interessante, talvez possibilite, com um pouco mais de investimento, um futuro encarte todo em HQ, possibilitando uma conceitualização de tema ainda maior…

Leko Soares: Nesses últimos dois anos estamos aprendendo que banda não é apenas “cd e show”. Temos que ir além disso, e nossa meta esse ano é trabalhar em um novo clipe, produzirmos alguns vídeos ao vivo tocando releituras de músicas nossas e covers em versão acústica e também investirmos mais na parte dos produtos alternativos. Fizemos 25 shows nos últimos 12 meses e agora é chegado o momento de trocarmos quantidade por qualidade para podermos aproveitar melhor o tempo para os outros projetos.


A Ilha do Metal:
Eu gostaria de agradecer pela honra e oportunidade desta entrevista e deixo aqui o espaço para vocês darem suas considerações finais e mensagens aos fãs.

Daniel Felipe: Galera compareça aos shows, bebam com a gente e curtam nossa fanpage no face, isso ajuda muito!

Leko Soares: Agradeço muito ao “A Ilha do Metal” pelo espaço. A primeira vez que acessei esse site fiquei “de cara” com a proposta e a qualidade do trampo de vocês. Torço sinceramente para que o site cresça muito ainda nos próximos anos pois vocês têm uma proposta voltada para o Metal Nacional que é “du caralho”.

Folk You!!!

Links:
Site oficial: www.lothloryen.com
Fanpage oficial: www.facebook.com/leogodde
Contatos: lothloryen.oficial@gmail.com

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Tags: Entrevista, Lothlöryen

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Sobre o autor:

João Antonio Nunes:
Analísta de PCP e formando em Engenharia de Produção, desde muito jovem é aficcionado por Metal e suas vertentes. Mais quando ouviu pela primeira vez a coletânia William Shakespeare's Hamlet se apaixonou completamente pelo cenário nacional. A partir de então busca incansavelmente conhecer e mostrar o que o cenário brasileiro é capaz de proporcionar.

já escreveu 15 artigos para a Ilha do Metal.