Barão Vermelho: Rodrigo Santos ” Tem que ter talento , força e raça , pra não desistir “

Alguém conhece o Barão Vermelho? Todo mundo óbvio

Independente do gosto musical o reconhecimento dessa banda que há mais de 30 anos vem compondo canções que o nosso país inteiro conhece, chegou a sua terceira fase, a Terceira Geração como eles se auto intitulam, e estão a todo vapor com a tour #Barãoprasempre, e a caminho de são Paulo, conseguimos contato com Rodrigo Santos, baixista do Barão Vermelho, onde numa rápida conversa, conversamos sobre, o Barão Vermelho lógico, o trabalho que o músico palestrando sobre a realidade das drogas, o mercado musical, e como tocar com Andy Summers, do The Police influencia a sua carreira.

Com vocês Rodrigo Santos

A ILHA DO METAL) Vamos começar direto e reto, quando ouvi a primeira vez, sobre a saída do Frejat, pensei que você naturalmente assumiria o vocal, até em função do Call The police, os lenhadores ou seu trabalho com o Fernando, então pergunto qual o motivo do grande vocalista Suricato ter assumido o vocal do Barão Vermelho?

RODRIGO SANTOS ) Queríamos que realmente essa fosse uma ruptura com o que vinha acontecendo . Uma fase 3. Chamamos de ” terceira geração “. Nesse momento queríamos deixar bem claro, que não estávamos acomodados com o fato de sabermos o que fazer , e sim partir para um novo desafio . Acrescentar novos elementos musicais , trazer uma pessoa nova pra banda . Fazer da fase 3, uma grande distinção entre a primeira , segunda e terceira formação . Pra além disso, teria de ser uma pessoa foda . E quando Mauricio sugeriu o nome do Rodrigo Suricato, na mesma hora todos nós achamos ótimo!

RODRIGO SANTOS ) Um multi-instrumentista, ótimo cantor/ compositor e extremamente conectado a obra do Barão , como fã e como músico, além de ter o respeito do meio musical inteiro . Foi uma escolha certeira ! Parece que já tocamos há anos . Parece que somos amigos há 30 anos . Esse quinteto ficou perfeito com a entrada do Suricato . Sem ele, seríamos um quarteto normal , até previsível dentro da nossa própria história. Queríamos exatamente o imprevisível . E a soma dos 5 ficou bombástica , fantástica . Mas o que poucos ainda sabem é que eu e Mauricio também cantamos uma música cada um no show . Isso é mais uma coisa nova no palco do Barão. Acho que essa formação nos deixou muito felizes . Há muito tempo não sentia 5 caras tão integrados num mesmo objetivo . Isso conta muito . Os outros trabalhos que você citou , como ” Call The Police”, ou minha carreira solo, rolarão paralelamente , assim como o trabalhos dos outros integrantes , a banda Suricato, etc. Eu e Fernando lançamos um disco em dupla , 15 parcerias inéditas , chamado ” Efeito Borboleta”, Guto e Mauricio também , Suricato está gravando novo disco . Tudo isso é prazeroso . Só que a prioridade agora é o Barão Vermelho .

A ILHA DO METAL)  Falando sobre o Pop Rock dos anos 80, sempre vi o barão como a banda mais crú e direta, então a pergunta seria qual motivo criou essa característica do barão que atravessando as fases e músicos essa característica permaneceu, a que se deve isso?

RODRIGO SANTOS ) Não sei . Acho que o nosso bom gosto talvez (risos). A verdade é que a obra fica maior do que tudo . O conceito , as letras , os arranjos , as composições ….isso é eterno . E faremos muito mais coisas daqui pra frente , discos autorais, DVDs , etc . Não ficaremos enjaulados e engessados num rótulo de ” banda comemorativa “. Temos dezenas de novas composições em parceria. O Barão não ficará nunca mais fora da estrada . Por isso o nome da tour é #BaraoPraSempre. Sabemos o que temos nas mãos, o valor conceitual do que criamos em mais de 3 décadas . São raras as bandas que mantém o conceito e a qualidade intactos . E seja com quem for, essa será a diretriz principal da banda . A qualidade dos textos e a longevidade da obra.
A ILHA DO METAL)  Eu gostaria de falar contigo, uma coisa fora do Barão, que é seu trabalho de palestrante sobre as drogas, que acho um trabalho sensacional, e se antes, todos os rockstar eram conhecido por seus talentos e extravagancias, hoje já não é uma coisa muito aceitável no ?Rock, embora ainda exista, Você por tudo que viveu em sua vida, como abrange esse tema dentro do Rock e da vida das pessoas que é tão marcante isso em qualquer família, como surgiu ser palestrante?

RODRIGO SANTOS ) Eu acho que tudo é divertido e legal, porém as cabeças e organismos funcionam completamente diferente nessas horas de uso de drogas e álcool . Eu passei da fase divertida, da ” loucura criativa ” para a dependência nua e crua. E é uma escravidão total . Quando parei com tudo em 2005, retomei a minha vida, meu foco, etc. Tive de novo as rédeas da vida na mão. Vivo muito mais feliz . Fui coordenador na clinica Centro Vida por 3 anos e quando as escolas/universidades/empresas começaram a me convidar a fazer palestras, montei de um jeito que conto a minha história , as diversões , os riscos e a escravidão . Mas muito mais informativo de como entrei e saí, do que de dizer o que se deve ou não fazer . Ninguém é dono da verdade. E me preocupo mais com o lado emocional do que de números . Apenas conto a minha história real , me colocando como um aluno , ou amigo de um aluno , ou pai de um aluno , passo informação de uma maneira muito verdadeira , também musical – no final faço um pocket show – e gradativa , como é a doença . Levo um pendrive onde mostro 1300 fotos, da infância até os dias de hoje , passando por cada fase da vida, mostrando como fui me encalacrando gradativamente , pois a doença é progressiva e sem cura. Mas faço de uns maneira que mistura coisas sérias , com engraçadas , me mostrando como sou , como fui e de onde vim. E onde eu ia parar se não parasse . A palestra sempre tem eco e é um retrovisor pra mim. O jeito de falar e o feedback de todas as diretoras , professoras e alunos , me dá muito prazer e atinjo o ponto para o qual fui convidado . Por isso sou muito indicado a mais escolas . Pelos próprios alunos , etc . Recebi um elogio de um amigo do meu filho – que estava numa das palestras esse ano – dizendo que de todas as palestras que já houvera na Escola Parque, aquela tinha sido a única onde todos ficaram do inicio ao fim , sem ninguém sair . E durou 2 horas . Então acho que isso é o principal pra mim : fazer chegar a informação de uma maneira não convencional , não careta e sim emocional . Me faz muito feliz saber depois que muitos com problemas , por conta da palestra reverteram a vida . Não tem preço pra mim as mensagens dos pais e professores . E isso me motiva a continuar . Pra mim, é melhor do que show .

A ILHA DO METAL)  Vamos voltar ao Barão o set list abrange todos os grandes sucessos da banda, embora não tenha a faixa, “Não me acabo” que é uma das minhas preferidas do Barão, como tem sido esse recomeço? como foi a escolha do set desta Tour?Já rolou algumas novas composições?

RODRIGO SANTOS )  Eu adoro ” Não me acabo “, também . Rs
Pois é…. pra chegar nesse consenso de 36 anos em 25 músicas , demorou . Foi uma votação na casa do Rodrigo Suricato . Começamos com 60 músicas , fomos afunilando até chegar em 30. A última votação de 30 pra 25 foi a mais difícil (rs) .
RODRIGO SANTOS )  Todos se envolveram , deram opiniões e chegamos a um denominador comum : os grandes sucessos sempre estariam . E as musicas que mais simbolizassem o que cada um achava de cada fase, de cada disco , de cada formação , seriam as outras escolhidas . Então vamos de ” Pro dia nascer feliz” e ” Por você ” , até ” Quem me olha só” e ” Dignidade”, com um arranjo que foi sugerido pelo Suricato . Aliás , nos baseamos também em músicas que poderiam crescer com as novas informações musicais trazidas pelo Rodrigo . Nos baseamos nos textos também . Foi um somatório de visões e posicionamentos. E ficamos muito satisfeitos . O show está lindíssimo .
RODRIGO SANTOS )  Escolhemos nessa fase onde estamos revisitando a carreira com a nova formação , uma música do Cazuza que o Barão nunca havia gravado ; ” Brasil”. Acho que não preciso nem dizer o porquê, né? Rs
RODRIGO SANTOS ) Já estamos compondo juntos para gravar um disco autoral no início de 2018, com a gente já azeitado , entrosado , etc. Mas uma coisa me empolgou e nunca tinha visto isso acontecer no Barão . Enquanto gravávamos e mixávamos o “Brasil ” , mostrávamos uns pros outros nos intervalos da gravação , as parcerias , o que um já havia feito com o outro , letras novas, fazíamos novas musicas , etc . Não me lembro de um momento como esse na banda . Os 5 juntos sentados no chão mostrando coisas ainda inacabadas, convidando pra participar da composição , sem vaidades, etc. isso foi fantástico e lindamente democrático . Isso é banda .

A ILHA DO METAL)  Vocês excursiona com um dos nomes mais importantes do Rock que é Andy Summers do The Police, e a pergunta em relação ao Barão, como é excursionando com um músico desse porte, contribui para as composições do Barão e se muda algo nos shows com o aprendizado ao lado dele?

RODRIGO SANTOS ) Na verdade não muda nada nas minhas composições . A não ser quando componho com o Andy ( temos 8 músicas juntos ). No dia a dia componho muito instintivamente, no avião , no ônibus , em casa..me envolvo na composição em qualquer canto . Se eu estou escrevendo uma letra, o mundo pode cair a minha volta que eu não vou reparar . Estou em outro mundo , nem adianta falar comigo .
A convivência com Andy, o respeito por estar ao lado de um mestre , um ídolo , isso sim influencia na minha vivência , fortalece a decisão de ter parado com álcool e drogas em 2005. Nada disso seria possível de acontecer . E quando estou com Andy , sinto isso 10 vezes mais forte . É muito doido isso . É uma coisa maior do que música , é a vida, uma droga espontânea , que vem do coração . Com Andy isso se mostra muito presente em mim . Me sinto uma pessoa melhor, muito feliz, realizado pessoalmente e profissionalmente . Recebi uma aula diária . A vida do Andy , a infância e adolescência foi muito dura, ele é um cara sensacional . Isso sim me deixa pleno . Tocar com ele . Mas não influencia nas composições não . Nem solo, nem pro Barão . Aliás , nesse ponto o Barão sim me influencia a fazer música , compor , etc, de uma maneira diferente do que eu faria habitualmente . Compor pro Barão é uma responsabilidade incrível .

A ILHA DO METAL)  Muita gente reclama da cena rock atual, fora da grande mídia, exceto a músicos consagrados como o Barão, o que você do mercado hoje? E também emendando porque não surgiu uma nova geração como aquela do Pop Rock de ser tão marcante. O que acha que falta?

RODRIGO SANTOS ) Tem muita gente boa , porém o mercado mudou bastante . As gravadoras quase não existem mais , o artista se auto empresaria, bate corre e cabeceia . Tem que ter talento , força e raça , pra não desistir . Um artista de rock hoje, é tão guerreiro como um roqueiro brasileiro da década de 70, quando era considerado um ET maldito . Rsrs

A ILHA DO METAL)  Vamos falar da Discografia do barão, mesmo até um pouco antes de vocÊ entrar na banda, mas pela sua opinião, qual pensa que seria os três melhores discos do Barão e qual a razão da escolha deles?

RODRIGO SANTOS ) Ah, isso é difícil . Não sei dizer . Todos são muito bons . O Barão é foda !

A ILHA DO METAL)  Sobre o show de São Paulo, O que podemos esperar de especial para esse show?

RODRIGO SANTOS ) Uma formação tinindo , com muita vontade de estar na estrada , curtindo a nova fase e querendo que cada vez mais e mais fãs embarquem nessa viagem. E estamos prontos pra fazer isso . O show é o nosso grande cartão de visitas! E o cenário de projeção em painel de Led, é uma novidade maravilhosa na história da banda . Musicalmente estamos voando !

A ILHA DO METAL)  Mensagem aos fãs e convidando para o show no Tom Brasil em São Paulo.

RODRIGO SANTOS ) Galera de Sampa, vocês fazem parte da nossa história . O Barão sempre foi abraçado por São Paulo . Podem ir nesse show com o coração aberto , pois vcs vão sair de alma lavada ! O Barão voltou . E pra sempre ! Chega mais !

A ILHA DO METAL tem o Apoio Cultural da T4F – SOLID ROCK FESTIVAL

SOLID ROCK – DEEP PURPLE, LYNYRD SKYNYRD E TESLA
Cerveja Oficial: Heineken
Realização: TIME FOR FUN

CURITIBA (PR) – Pedreira Paulo Leminski

Data: Terça-feira, 12 de dezembro de 2017
Ingressos: de R$ 145 a R$ 660 (ver tabela completa)
Pela Internet: www.ticketsforfun.com.br
Retirada na bilheteria e E-ticket – taxas de conveniência e de entrega.

Pontos de venda no link: http://premier.ticketsforfun.com.br/shows/show.aspx?sh=pdv

SÃO PAULO (SP) – Allianz Park

Data: Quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
Ingressos: De R$ 130 a R$ 580 (ver tabela completa)
Pela Internet: www.ticketsforfun.com.br
Retirada na bilheteria e E-ticket – taxas de conveniência e de entrega.

RIO DE JANEIRO (RJ) – Jeunesse Arena
Data: Sexta-feira, 15 de dezembro de 2017.
Ingressos: de R$ 125 a R$ 650 (ver tabela completa)
Pela Internet: www.ticketsforfun.com.br
Retirada na bilheteria e E-ticket – taxas de conveniência e de entrega.