Angélica Burns: Do Death ao Thrash, com talento e persistência

Em 2010 uma certa vocalista carioca espantou muitos marmanjos headbangers com o lançamento do videoclipe de sua banda no youtube.Angélica “Burns” como é conhecida, desde então vem arrancando a admiração de muitos com o seu domínio da técnica gutural a frente das bandas Diva e Scatha.

 A bela decidiu assumir os microfones a quase 7 anos,saltando de um cover de Lacuna Coil e After Forever para os guturais do metal extremo em uma banda que iniciou como tributo ao Arch Enemy.Angélica Burns  compartilhou com  nosso site suas opiniões e as experiências de ser uma vocalista mulher, em um pais que ainda se espanta ao ver mulheres fazendo metal de qualidade.

 

Acompanhe:

Texto:Mayara Puertas

 

AIDM:Angélica, quando o videoclipe do Diva “Condemned” foi ao ar, ele foi bombardeado de visualizações. Qual foi a sua reação?

Angélica:Eu já esperava na realidade porque era uma novidade e todo mundo queria conferir como era o som dessa “tal banda de Death Metal carioca com vocal feminino”. Mas não esperava tantas visualizações!

AIDM:O seu vocal muda de acordo com as propostas das bandas(Nr:Diva-Death Metal;Scatha-Thrash metal). Você se sente mais a vontade em algum dos dois estilos?

Angélica:Apesar de ao longo dos anos em dados quantitativos eu ouvir muito mais Thrash Metal, eu prefiro cantar Death Metal. Admiro muito ambos e por isso a Diva, acaba sendo uma
mistura dos dois.Em 2007, entrei para o Scatha com o grande desafio de cantar Thrash Metal e regravar todas as músicas da banda que antes tinham vocal limpo. Foi um grande desafio, desenvolver um vocal Thrash em pouquíssimos meses e o material que vocês podem ouvir do Scatha hoje é ainda esse primeiro cd gravado em 2007. Acho que depois de 5 anos na banda, consegui adaptar e encontrar um meio termo na minha voz que se encaixe no som do Scatha e acho que com certeza evolui bastante, por isso a vontade de gravarmos o full ainda esse ano. Nosso último trabalho foi gravado há 5 anos, já faz bastante tempo. Todas nós evoluímos bastante desde então.

AIDM:Em alguns comentários nos vídeos, as pessoas dizem que seu vocal tende mais ao Death do que ao Thrash metal. Você concorda?

Angélica:Estão todos certos (risos). Eu também acho porque na real é uma tendência consciente. Sempre que posso torno meu vocal mais Death Metal do que Thrash, pois é uma preferência pessoal minha.

AIDM:Alguns tem interpretado essas “mudanças” no seu vocal como falta de identidade, e até mesmo algumas vezes comparando sua voz com a de Angela Gossow. Como você lida com isso?Você acha que a ainda restam vestígios do antigo tributo ao Arch Enemy no qual você cantava?

Angélica:Não me importo muito com as críticas ao meu vocal. Lógico que estou sempre querendo aprimorá-lo, mas canto porque gosto. Passei anos apenas fazendo cover de Arch Enemy, e por isso me concentrava em ter o vocal mais idêntico possível ao da Angela Gossow. Não vejo nenhum desmérito nisso, sou extremamente apaixonada pelo timbre dela.

 

AIDM:Tanto o Diva quanto o Scatha estão meio sem dar noticias há algum tempo. Algo novo está por vir?Ou estão apenas recuperando o fôlego?

Angélica:Na verdade, essa falta de notícia é pela minha ausência. Eu deixei o país para estudar um tempo fora, e por esse motivo não há muitas notícias das duas bandas. No entanto, estarei de volta logo em Agosto e ambas voltaram com todo o gás. Na Scatha já temos música suficiente para gravar nosso primeiro full, acredito que no segundo semestre estaremos voltadas para isso. O pessoal da Diva está concentrado em composição também para assim que eu voltar gravar um novo material.

AIDM:Em muitas resenhas do ultimo websingle do Diva (“World Colapse”)  um comentário frequente é que a musicalidade do grupo evoluiu, assim como o seu vocal. Você concorda com isso?Se sente mais livre e preparada em “World Colapse” do que em “WarsaW”?

Angélica:Com certeza. Acho que evoluímos absurdamente. O Warsaw foi o primeiro momento que sentamos e tentamos compor algo depois de anos da existência da banda como cover do Arch Enemy. Ainda não conhecíamos os meios de composição de cada um e depois do Warsaw aprendemos a dinâmica de compor. E agora o processo fica muito mais rápido porque já nos conhecemos. World’s Collapse ,por exemplo, foi composta em apenas um mês. Enquanto demoramos quase seis meses pra compor e finalizar as idéias do Warsaw. Hoje me sinto totalmente preparada e não vejo hora de compor novas músicas para a Diva. Estamos muito empolgados para ver no que vai dar nossos próximos trabalhos.

www.myspace.com/divaofficial

 

AIDM:Apesar de muito bem produzido, o videoclipe “World’s Collapse” já não teve o mesmo impacto no youtube. Você acha que isso se deve às mudanças na sonoridade do Diva?

Angélica:Não me preocupo muito com o número de visualizações. Eu mesmo nem sei quantas visualizações os dois clipes tem hoje em dia . Eu particularmente prefiro muito mais a World’s porque o som é mais maduro e o clipe é mais simples, mas acho que mais bem produzido. Nós também não investimos tanto em divulgação ano passado, quanto investíamos antes. Antes tínhamos uma empresa nos assessorando e ajudando na divulgação. Mas não se pode ter tudo. Queríamos nos dedicar para termos um novo trabalho mais bem produzido sonoramente e por isso teríamos que fazer sacrifícios, já que ninguém da banda tem dinheiro sobrando. Assim, a divulgação do World’s Collapse ficou só por nossas mãos com facebook e myspace e nada mais. E todos da banda trabalham e estudam, acaba sobrando pouco tempo para divulgarmos pela internet.

AIDM:O Scatha assim como muitas outras bandas dentro e fora do pais , é unicamente formado por mulheres. Você acha que isso acabou virando moda?Ou até mesmo um tabu, já que nos vemos bandas com membros homens e vocalistas mulheres, mas dificilmente vemos o inverso?

Angélica:Eu acho que virou moda infelizmente, hoje vemos bandas femininas aos montes. A Scatha nunca usou na realidade sua imagem de banda feminina para se promover. Muito pelo contrário, queríamos ser reconhecidas pelo nosso som. Quando entrei para a banda em 2007, a banda já existia desde 2005 com esse conceito. O conceito surgiu meio por acaso, tanto que no início a banda teve um baterista homem. Eu mesmo acho que com cenário atual nós devíamos investir na imagem de banda feminina para quem sabe ganhar mais atenção da mídia, mas tudo com cautela. Porque eu acho na realidade uma bobeira esse tal de preconceito contra mulher no metal e acho que hoje em dia isso já diminuiu bastante justamente com a ajuda de bandas femininas e mulheres no metal. Mas o respeito com certeza só é adquirido quando a qualidade do som supera a diferença dos sexos. O mais importante acima de tudo é que aquela pessoa contribua para a cena metal da qual ela participa. E  pesar da proliferação das bandas femininas ser moda, pelo menos essa moda está ajudando essas meninas a aprender a tocar e compor músicas e fortalecer a cena. Acredito que os homens devem estar é felizes, ao irem aos shows e encontrarem muito mais mulheres que há anos atrás encontrariam.

www.myspace.com/scathaband

 

AIDM: No inicio o surgimento desssas bandas “All Female” estava associado a uma certa revolução por parte das mulheres no heavy metal.Você acha que esse ideal ainda persiste, ou muitas acabam abusando de seus “atributos femininos” para conseguirem espaço na cena?

Angélica:Acho que existe sim algumas meninas que usam seus atributos femininos para conseguirem espaço. Mas são poucas, e se elas não tocam um metal de qualidade logo serão esquecidas e nunca serão lembradas por tocarem um som de qualidade. O ruim disso é que essas mulheres colaboram com a persistência do preconceito contra as mulheres no metal.

 

AIDM:Você acha que na atual cena brasileira está mais fácil para uma mulher atuar no meio Heavy metal, ou ainda existem Barreiras?

Angélica:Não acho que há barreiras. Há sempre uma desconfiança e preconceito. Mas acho que nada disso atrapalha diretamente o trabalho. Sempre haverá aqueles que acreditam que não podemos chegar a altura de um homem tocando ou cantando, mas acho que isso está cada vez menos presente na cena.

Posso dizer a todas as mulheres que sonham em tocar em uma banda que não há o que temer. Se você se dedicar e for uma boa musicista ou cantora, você será reconhecido por seu trabalho. O metal brasileiro nunca esteve tão aberto ás mulheres quanto hoje. Aproveitem!