Toy Shop e Carlos Finho @ Hangar110 – São Paulo/SP

Paralelo ao evento da Virada Cultural, ocorreu no Hangar110 o I Encontro de bandas Independentes, e após o descanso em função dos shows da Virada Cultural, porque não cobrir esse evento, uma iniciativa muito boa, uma vez que para bandas iniciantes muitas vezes esse tipo de Festival é a melhor maneira de apresentar ao público seu trabalho.

O lugar escolhido, o Hangar 110 é um dos Templo do Rock em São Paulo, onde nos últimos dias já tinhamos tido grandes shows internacionais na casa, dentre tantos nacionais que ela sempre promove, e ao chegar no lugar já tive a primeira decepção, o público era extremamente baixo, algo em torno de 50 pessoas no máximo, e considerando que seriam quase 12 horas de música, e apesar da fraca divulgação era para se ter casa cheia, ainda mais em um evento gratuito, com algumas mesas vendendo os itens de gravadoras e bandas independentes.

Ao ver as bandas tocando algo cerca de 5 ou 6 músicas em cada set, pensei, Que festival de banda independente é esse? um bando de punk de condomínio sem atitude nenhuma, achando que ter tatuagem e cabelo moicano a la “Neymar” é ter atitude Rocker, com músicas fracas, e tocando covers para lá de mal interpretadas, pensei neste momento, esse palco não merece esse tipo de músico tocando ali.

Após algumas bandas que doeram os ouvidos ao escutar, salvo raras exceções, entraram 3 músicos e uma vocalista, e sendo a próxima banda, a primeira que vi testando o som e com um técnico cuidando da mesa, o que deu uma qualidade superior ao som da casa naquele dia, a banda começa o seu set.

A primeira música “I wanna see you”, pensei comigo, nossa que interessante um cover do Toy Shop, vindo na sequência “Tonight is you” e “Daydream”, pensei opa, com um tom de voz bem parecido, ninguém tocaria 3 covers seguidos e ao questionar o fotógrafo da banda tive a certeza, o TOY SHOP estava de volta e aquela talvez seria a segunda apresentação da banda que voltou com a mesma formação de quando lançaram o álbum Party’s up, com Natacha nos vocais, Val Santos e Gabriel Weinberg nas guitarras e Guilherme Martin na bateria (sim, o mesmo do Viper) e o novo integrante Nando Machado no baixo.

Após o maior hit da banda “Daydream”, que ali já tinham mostrado a todos que vi como se faz um Rock de verdade, a banda decide tocar uma cover dos Misfits “Saturday Night”, cantada pela maiores dos poucos presentes no momento da apresentação. A emoção da banda tocando era muito positiva e eu particularmente extremamente feliz em vê-los de volta aos palcos, já que era a primeira vez que via a banda ao vivo.

“Somebody” termina a apresentação de maneira brilhante e aos pedidos da música “Follow me” Natacha avisa que tocarão em uma próxima ocasião e comenta como era bom o formato acústico pois era uma maneira diferente de apresentar as músicas.

Após um longo tempo, surge no palco Carlos Finho, Ex-365 que atualmente trouxe de volta o projeto M.M.D.C, e recentemente lançou o livro “Poemas de Combate”, subia ao palco para apresentar suas novas músicas, além dos clássicos que todos esperavam, ao se apresentar,e onde, os fãs do 365 já focados em ver a apresentação do grande compositor, percebemos que o som caiu muito a qualidade em relação ao show anterior.

Ao primeiro clássico “Cristo Anistiado”, foi notada a péssima qualidade do som, e ao anunciar “Bartira”, música que fala da cultura paulista da qual o poeta/vocalista é um grande conhecedor, e ao ver que ninguém operava a mesa de som (e a qualidade estava muito ruim) o vocalista pede desculpas se despede com a frase “Vida longa ao Rock’n’Roll para quem é do Rock’n’Roll” e sai do palco.

A falta de estrutura e profissionalismo da Organização que fez com que o músico saísse do palco soa a atitude de Finho como exemplar, pois independente se o evento for do “Mainstream” ou “Independente” ele deve ter a mínima condição técnica para execução do trabalho de um músico. Muito se fala da cena hoje em dia, mas se em péssimas condições alguns tivessem essa atitude que o vocalista teve, com certeza nossa cena estaria muito mais forte sem precisar ficar à merce de péssimos produtores.

Um festival que deveria ser extremamente positivo, marcado principalmente pela volta do ToyShop e a apresentação de Carlos Finho, têm que soar como lição, principalmente aos “Rockeiros de Condomínios” que tinham que estar lá pela aula de atitude e profissionalismo dos artistas citados neste Review, e não é com um violão e piadas bobas, falando de emos, ou elogiando gringos, que se mostra qualidade musical.

PARABÉNS AO TOYSHOP E CARLOS FINHO PELA AULA DE ROCK’N’ROLL .

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