The Who, Alter Bridge e The Cult @ SP Trip (Allianz Park) – São Paulo/SP

A espera acabou.

Fotos: Roberto Matsukawa/Mercury Concerts/Divulgação

Um Festival que desde o anuncio, já previa que seria impactante, e a cada anuncio das bandas que fariam parte do Cast, era extremamente comemorada, e o primeiro dia, tinha algo de especial, não que os próximos dias não terão mas na abertura, teríamos 3 atrações, duas delas completamente inéditas no Brasil, com o Alter Bridge, e o The Who, pela primeira na America do Sul estreando no Allianz Park, e claro não podemos esquecer que este Festival trouxe de volta os veteranos do The Cult.

O clima na cidade em uma plena Quinta Feira não podia ser melhor, qualquer pessoa que gostasse de música, comentava sobre a noite com The Who e o público foi chegando e a expectativa, só aumentava, com as lojas oficiais mesmo com o preço salgado de 100 reais a camiseta, e o copo oficial do evento, custando 20 reais, todo fã claro que com muita dor no coração comprava sua lembrava da primeira noite do Festival.

Pontualmente as 18: 15 começava o festival, e em grande estilo Alter Bridge no palco, formada pelo excelente vocalista Myles Kennedy, que também toca com Slash, e como é de conhecimento de todos os músicos do Creed, o excelente guitarrista Mark Tremonti, Brian Marshall no baixo e na bateria Scott Phillips entram perfeitos já com duas pedradas, “Come to Life” e “Addicted to Pain” para Myles esbanjar simpatia e no bom e velho português mandar um “ E ai Galera”, e não continuou, afinal, a nossa língua não é tão fácil e muitos músicos tem dificuldade, mas o vocalista com toda sua simpatia, lembrou que finalmente a banda estava numa Brasil em 13 anos de carreira.

A pesada “Ghost of Days Gone by” representa bem, e quem viu o Creed em sua passagem pelo Brasil a presença dos músicos no palco é excelente, e Myles ao contrário em sua carreira junto a Slash, no Alter Bridge ele faz também a base nas guitarras, e a banda foi seguindo com a mesma pegada em seu set, “Isolation”, “Blackbird” tudo soava perfeito e muitos que chegaram cedo, estavam ali pela banda.

Eles não tem um grande hit, exemplificando como o Creed possui vários, e quando comentamos sobre o Alter Bridge, sempre exaltamos sua qualidade técnica que é impecável e a reação da plateia era oposta, quem acompanha a banda, estava literalmente em êxtase, aqueles que não conheciam olhavam com indiferença e não se animavam de jeito nenhum.

A trinca final, com “ Open Your Eyes”, “Metalinguns” e o grand finale com “Rise Today” encerrou uma excelente apresentação para quem esteve lá disposto a conhecer bandas novas e com a mente aberta, pois a banda hoje é um dos grandes nomes do Hard Rock Mundial tocando em todos os grandes Festivais de Metal Europeu, e agora também podemos dizer que já tocaram em grandes festivais brasileiros, e esperamos vê-los na próxima Tour com um show Solo no Brasil.

Come To Life
Addicted to Pain
Ghost of Days Gone By
Cry of Achilles
Crows On a Wire
Waters Rising
Isolation
Blackbird
Open Your Eyes
Metalingus
Rise Today

Breve pausa para Troca de palco e temos no palco os veteranos do The Cult que não tocavam há alguns anos pelo Brasil, desde 2011, e depois de tanto tempo, claro que muitos fãs gostariam de ver outro show da banda , já que eles lançaram um novo disco no ano passado , Hidden City e sempre estão em Tour. Vale lembrar que a banda também é bem conhecida pelas suas exigências, o vocalista Ian Astbury tem a fama de ser bem chatinho, algo como deixar Axl Rose com o título de simpatia honorária do universo, principalmente depois que excursionou com membros do Doors no Projeto The Doors of 21st Century.

A banda mesmo lançando e tendo um certo sucesso comercial, nada se compara aos clássicos discos Love, Eletric e o Sonic Temple, onde 90% dos seus hits se concentram nessa trinca, e vindo destes álbuns as faixas iniciais, “Wild Flower” e “Rain” começaram muito bem e ali já aparecia quem seria o dono da noite e este tinha apenas um nome Billy Duffy.

O som simples e direto do The Cult que lembra o Aussie Rock Australiano e Billy com sua característica guitarra Gretsch branca, é o símbolo do rock que literalmente não temos mais no meio musical, vestido de preto, com jaqueta, fazendo pose, solando fácil parecendo ser difícil ele roubou toda a cena, com cara de mal encarando a plateia com os “zoio esbugaiados”, ele roubou a cena literalmente.

As novas “Dark Energy” com “Peace dog” pareceu um banho de água fria na plateia, que estava fria completamente sem reação a qualquer nota que viesse dos americanos do palco.

Ian Astbury sentindo isso e bem irritado, perguntou, “ Se ele estava no Brasil” e ao ouvir um tímido “yeah” ele continua “ Isso não parece o Brasil para mim” e Duffy com muito peso já emenda o Riff de “Lil Devil” que pre se tratar de outro sucesso da banda e ver a reação da plateia, ele sorri e agradece “ isso sim é o Brasil para mim”. O que pensei que ia emplacar o show e ganhar em energia voltou a esfriar com 3 músicas não conhecidas pelo público presente com “Deeply Ordered Chaos”, “The Phoenix” e “Rise”, voltou a deixar o cantor irritado que se esforçava indo de um lado de outro do grande palco provocando a plateia para que reagissem, dizendo sempre, “estamos em um show de rock ….vamos ai”

Além de Ian e Billy completam a banda Mike Dimkich, Chris Wyse e o excelente batera John Tempesta que já passou pelo Exodus e Testament se esforçavam para agradar a galera, porém o único que conseguia alguma reação era realmente Billy Duffy.

Uma intro inspirada no teclado, e brincamos comentamos, uma brincadeira de uma nota, só,  qual era a música?……muitos já sabiam qual era  a próxima música apenas e ali finalmente o show começava a empolgar com “Sweet Soul Sister” e nesta música Ian conseguiu mesmo que até a plateia cantasse junto, Billy não pensa duas vezes e já emenda “She Sells Sanctuary” que também bem recebida pela plateia o que já não acontecia desde o início do show.

A belíssima “ Fire Woman” se não foi brilhantemente tocada como no disco, a verdade é que ali era um show de Rock, onde a atitude é melhor que a técnica e tanto Ian como Billy, mesmo com os erros, ouvir a faixa que era sucesso no final dos anos 80 nos programas de vídeo era realmente de lembrar como o rock era bom, e esse espirito deveria voltar a muitas bandas atuais. Ian agradece a oportunidade de tocar no SP Trip avisa que teremos apenas mais uma música, e enaltece de estar tocando junto com o The Who por tudo que representam ao Rock e terminam a apresentação com “Love Removal Machine” com outro show de caras e bocas de Billy Duff que ao final foi ao microfone e agradeceu por ter tocado mais uma vez no Brasil.

O show foi ruim, não mesmo, de jeito nenhum, mas ali o público foi morno, assim como o Alter Bridge que queria apenas ouvir clássicos e não buscar novos sons como foi a proposta do The Cult e aquelas citações de que a troca de energia com o público faz o show engrenar, ali tivemos um excelente exemplo, por mais que a banda se esforçasse não conseguia o retorno pretendido da galera, que talvez se a banda tocasse só clássicos tivesse outra reação, mas essa jamais foi e será a proposta do The Cult.

Wild Flower
Rain
Dark Energy
Peace Dog
Lil’ Devil
Deeply Ordered Chaos
The Phoenix
Rise
Sweet Soul Sister
She Sells Sanctuary
Fire Woman
Love Removal Machine

Chegava a hora, uma das bandas mais influentes do Rock de tocar no Brasil, uma das mais solicitadas, uma daquelas que faltava, e finalmente aconteceu, por cerca de 5 minutos o telão mostrava fotos e fatos históricos da banda, para no horário pontual, a banda subir ao palco e a energia que citei da plateia para o palco que citei acima finalmente apareceu, e como… e o que tivemos depois disso só hinos do rock, de cara mandaram “I Can’t Explain” e todos os olhares do SP TRIP se limitava a duas pessoas, Roger Daltrey e Pete Townshend.

Dois senhores, Dois Lordes do Rock’n’Roll, com mais de 70 anos, e melhores que muita gente que estavam ali assistindo eles agitaram muitos, com as poses clássicas de Pete e Roger rodando seu microfone sobre a cabeça ou lateralmente, e ver aquela abertura do C.S.I. como os jovens conhecem a banda e lá tivemos a fudida “Who are you”, seguida pela sessentista “ The Kids are Alright”. A plateia hipnotizada por dois senhores, e aquelas rostos doceis com Pete Townshend tocando com a cabeça meio aberta parecendo aquele tiozão do açougue do interior, debulhando a guitarra, com toda sua técnica como ele ficou conhecido e até interagindo mais com a plateia do que com Roger Daltrey, e mesmo com o erro na entrada de “My Generation” ali tínhamos um dos maiores hinos da música.

Talvez os mais novos não entendam mas o The Who definiu a musicalidade de todo o Hard Rock que veio depois deles, se hoje em 2017 com tantas bandas e músicos a música do The Who ainda é complexa imagine nos anos 60 e 70, as viradas de bateria, as sacadas de baixo, os riffs de Pete tudo isso fez o Rock ser o que na verdade ele é hoje. A linda balada “ Behind Blue Eyes” na sua versão clássica linda com os telões mostrando um olho azul com os intergrante na pupila, era uma epopeia ao bom gosto.

Vale destacar que o baterista é ninguém menos que Zak Starkey, filho de Ringo Star, baterista do Beatles, e embora não precise de muito como sabemos, ele toca muito, mas muito mais que o pai, e literalmente consegue marcar o ritmo e fazer todas as viradas que onde quer que Keith Moon esteja hoje está orgulhoso de ver um substituto a altura. O que dizer de faixas com “You better You Bet” e era muito bom ver todos cantando se divertindo e uma plateia com a faixa etária bem mais alta.

assume os vocais na faixa “I’m the One”, e anuncia “ The Rock” e ali começava a parte mais viajante do show, com músicas mais lado bem , mas de extrema técnica, e muita atitude e ver aqueles senhores, que se já não tem mais o vigor e potencia vocal, hoje tem a experiência e uma bagagem de fazer inveja a muita banda, são exemplos a ser seguidos, ícones de um estilo que eles fizeram questão de sedimentar com discos como Who’s next, Tommy ou Quadrophenia.

A partir de “Spark” o que se viu depois foi uma verdadeira aula de história, com músicas sem necessidade de uma maior explicação o nome delas já diz tudo, “Pinball Wizard”, “See Me, Feel Me”, “Baba O’Riley”, e “Won’t Get Fooled Again” que finalizou a primeira parte de um evento sem precedente. Ninguém arredava o pé do estádio, e o bis veio forte também com as icônicas “ 5:15” e o final com “Substitute” que deixou todos sem palavras.

Que Show, Que noite….., jamais pensava que um dia eu viria tantos clássicos que moldaram e influenciaram tantas bandas, aquela clássica que tocou em Woodstock, e deixaram todo um estádio de boca aberta com o que foi apresentado, muitos tentam, mas lendas são lendas e Deuses do Rock são Deuses do Rock, e dois estiveram no SP TRIP e não há palavras que descrevam na totalidade o que foi esse show.

E só foi o Primeiro dia. To Be Continued.

I Can’t Explain
The Seeker
Who Are You
The Kids Are Alright
I Can See for Miles
My Generation
Bargain
Behind Blue Eyes
Join Together
You Better You Bet
I’m One
The Rock
Love, Reign O’er Me
Eminence Front
Amazing Journey
Sparks
Pinball Wizard
See Me, Feel Me
Baba O’Riley
Won’t Get Fooled Again

Bis
5:15
Substitute

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