Brutal Assault 2017 @ Fortress Josefov – Jaromer/CZE (09/08/2017 – 12/08/2017)

Texto feito pelo nosso colaborador: Thiago Matos

O verão europeu é a estação do ano mais esperada, não somente pelo calor, pela alegria que o sol traz para os europeus, mas também pelos festivais que rolam pela Europa toda! E Hoje vamos falar como foi o Brutal Assault!

O festival ocorre tradicionalmente no inicio de agosto. Este ano o festival aconteceu do dia 9 ao 12 de agosto.

A primeira edição do festival ocorreu em 1996, desde a primeira edição, ocorreu diversas alterações quanto ao local; cada ano o festival acontecia em um local diferente; atualmente o fest rola em um velho forte do exército (Josefov) a 130km da capital Praga, na cidade de Jaroměř.

Nas primeiras edições o Brutal Assault era basicamente composto por bandas locais e pequenas bandas de países vizinhos, com o tempo o fest foi crescendo e tendo a participação de bandas de grande porte. Em 2006 o evento atraiu cerca de 7.000 fãs de diversas partes do mundo e nomes de grandes nomes do metal.

Atualmente o festival cerca de 15.000 pessoas, possui 4 palcos, sendo 2 a céu aberto e 1 menor, e um mini palco coberto tambémtem duração de 4 dias, com uma grande área de camping e grande estrutura, incluindo diversas opções de alimentos, area para banhos, banheiros privados, banheiro químico, área de merchan, discos, itens colecionáveis, etc.

E a cada ano que passa o festival fica mais conhecido e mais frequentado!

Agora saiba tudo que rolou nos dias 9, 10, 11 e 12 de Agosto.

Dia 08 de agosto de 2017

Pela manha peguei um ônibus de Munique para Praga, ao chegar tive poucos minutos para comprar a passagem e pegar o ultimo trem em direção a cidade de Jaromer onde o festival Brutal Assault acontece, peguei o trem em torno das 16H30.

Tive alguma dificuldade em encontrar a plataforma correta no entanto por sorte encontrei alguns headbangers que estavam indo para o festival e me ajudaram a chegar na plataforma correta. Um ponto que devo frisar e a dificuldade em obter informações com os locais, a maioria não fala inglês e tao pouco pareceu disposta a ajudar. Outra observação e que a funcionaria da companhia de trem pediu a mim e outros para passageiros que se retirasse do vagão, apos alguns segundos tentando entender a razão um outro passageiro me explicou que os vagões seriam separados que o vagão em que estávamos não iria para o mesmo destino, que deveríamos nos atentar a isso.

Apos algo como 2 horas chegamos na cidade onde o festival ocorria, não ouve dificuldade para encontrar o local do festival já que facilmente encontramos muitos fãs se dirigindo para la. Tivemos tempo de montar as barracas antes de escurecer, já que no ápice do verão escurece em torno das 22h00.

Dia 09 de agosto de 2017

Para mim o dia começou um pouco tarde apos dias de viagem e um certo cansaço acumulado (Estive em um outro festival na Alemanha), enfrentei uma longa fila para obter alguns itens do merchandising oficial, essa e uma observação que faco para quem se interessa em ir nesse tipo de evento. Caso se interessem por algum item especifico recomendo altamente que adquira na primeira oportunidade, pois alguns costumam esgotar bastante rápido.

No evento existem quatro palcos sendo dois principais que são o Sea Shepherd e o Jagermeister, um palco secundário que e o Metalgate que fica dentro de uma tenda e um chamado oriental que e bem pequeno que tem apenas dois shows por dia. No primeiro dia de shows me foquei no palco Jagermeister onde estavam as principais bandas que me interessavam.

O primeiro show foi uma agradável surpresa, a banda alemã Deserted Fear faz um death metal coeso, bem trabalhado e que animou bastante os presentes. Foi um nome que me chamou a atenção e me animou a buscar algum material no futuro.

Em seguida foi a vez dos italianos do Fleshgod Apocalypse, apos muito tempo de espera finalmente pude vê los ao vivo, apos uma breve introdução instrumetal eles entram no palco tocando o seu death/black sinfônico, no principio os vocais estavam um pouco baixos mas pouco depois o problema foi solucionado. O set list foi bem diversificado trazendo clássicos como The Violation e musicas de discos mais antigos no entanto mantendo foco no seu ultimo trabalho o excelente King de 2016.

Apos o show fui caminhar pela areá interna do festival e ter acesso a outras barracas que vendiam merchandising, ha uma grande variedade mas nem sempre os preços são muito convidativos. Alguns minutos antes do principio me dirigi ao local de meet and greet da banda Fleshgod Apocalypse, ja havia uma longa fila no local. Fui muito bem atendido e ao saber que era brasileiro o baixista Paolo Rossi disse gostava bastante do futebol brasileiro e que em sua opinião Romario era um dos maiores jogadores de todos os tempos.

Apos isso foi assistir ao show do Wintersun que realizaram uma boa apresentação, chamava bastante atenção o plano de fundo que era a capa do seu ultimo trabalho The Forest Seasons no qual a banda concentrou o seu setlist.

Tive grande vontade de esperar os shows do Overkill e da banda polonesa Bathuska, sendo que a primeira começava as 00H05, infelizmente fui vencido pelo cansaço apos algumas noites mal dormidas.

Dia 10 de agosto de 2017

No dia seguinte procurei ir bem cedo para o local dos palcos principais, o dia prometia com varias bandas interessantes, me dirigi cedo ao local pois queria pegar um bom lugar para assistir ao show das brasileiras Nervosa, tinha bastante curiosidade para ver como seria a reação do publico no festival pois desde o primeiro dia via muitos headbangers com camisetas da banda.

Fui um dos primeiros a entrar no local, a primeira banda do dia foi a banda Exorcizphobia da Republica Tcheca, agitaram bastante o publico e mostraram uma grande influencia dos Nova Iorquinos do Anthrax, tanto visual quanto musical.

Apos o bom começo e alguns minutos de espera eis que chega a vez da conterrâneas da banda Nervosa começando com a ótima Hypocrisy seguidas de Arrogance e Surrounded by snakes do seu mais novo álbum Agony de 2016, era impossível não notar um grande mosh pit e crowd surfing constante com um grande numero de mulheres, a apresentação seguiu alternando musicas do seu primeiro disco e seu mais novo trabalho, ao final a vocalista Fernanda Lira disse ao publico que era sua ultima chance e finalizou com a musica Into the Moshpit.

Depois da apresentação da banda Nervosa, sai para dar uma volta novamente e ver outras tendas de merchandising, pois possui uma grande variedade e fica um pouco difícil de ver tudo em um dia só.

Depois fui para o Meet and greet da banda Nervosa, pois fiz amizade com um russo e ele estava muito ansioso para conversar com a banda, as meninas foram muito receptivas, estava uma fila enorme para encontra-las, até maior do que outras filas de banda que possui uma carreira mais consolidada.

Depois voltei para o local dos shows e assisti a um trecho do show da banda americana Miss May I, fizeram uma apresentação muito coesa e que animou bastante os presentes e fãs de metal core.

A apresentação segue com os californianos da banda Terror, eles fazem uma mistura de hardcore com punk rock fortemente influenciada por Hatebreed, e o publico ficou muito eufórico e realizava uma sequencia de crowd surf constantes, que inclusive dificultava bastante a apreciação do show.

A próxima apresentação ficou por conta da banda Nile, a banda é da Carolina do Sul, e realiza um death metal extremamente técnico e tem como principal tema, religião, historia e misticismo egípcio.

Na sequencia os americanos do Hatebreed fazendo aquela mistura básica de harcore/metalcore/punkrock, a banda alternou o setlist tocando musicas de vários álbuns, mas deu maior foco da apresentação no álbum Satisfaction Is the Death of Desire, celebrando 20 anos do seu lançamento.

Pra quem está na frente para ver melhor os shows, como dessa banda/estilo fica quase que impossível aproveitar da frente, o crowd surf realmente atrapalha quem quer assistir a apresentação porque é praticamente interrupto.

Após mais algum tempo de espera, começou a chover um pouco mas nada que espantasse os presentes, eis que sobem ao palco a banda que eu estava mais ansioso para assistir a apresentação, os suecos do Opeth.

Fizeram uma apresentação bastante diversificada, tocando musicas de quase todos os álbuns, dando menos enfase aos primeiros discos. Começaram com “Sorceress”, faixa título do ultimo disco, seguida da minha faixa preferida “Ghost of Perdition”.Vale ressaltar o carisma do vocalista Mikael Åkerfeldt, sempre interagindo com o publico, fazendo comentarios engraçados, mesmo com a chuva que ja incomodava os presentes, Mikael não perdia o carisma. A banda segue a apresentação com “Demon of the Fall”, na sequencia a trinca  “Cusp of Eternity”, “Heir Apparent” e “The Drapery Falls” e fechando com chave de ouro com a longa “Deliverance”.

No geral apesar da chuva que não parava o publico sai bastante satisfeito com a apresentação.

Após mais uma hora de espera na chuva, sobem ao palco os gregos do Rotting Christ, neste momento a chuva estava torrencial, mas os fãs estavam firmes e fortes e não arredaram o pé.

O show começa com uma breve introdução e então os primeiros acordes de “Ze Nigmar”, na sequencia “Kata ton Demona Eautou”, o vocalista Sakis Tolis agradece o apoio e a presença de todos apesar do clima desfavoravel, e segue a apresentação com “Athanati Este”, na sequencia “Elthe Kyrie”, “Apage Satana e “The Sign of Evil Existence”, como podem ver a banda agrada tanto antigos como novos fãs, pois segue um setlist bem diversificado até o fim da noite.

Já passava das 2h da manha, e eu estava a muitas horas sem comer, muito tempo esperando em pé e na chuva, sentia que era o momento de comer alguma coisa e ir descansar, recarregar as baterias para os próximos 2 dias.

Dia 11 de agosto de 2017

Acordei um pouco tarde, e enquanto tomava café já podia escutar algumas bandas se apresentando, mas o cansaço não permitiu que eu chegasse a tempo de ve-las.

A primeira banda do dia que vi foi os australianos “Aversions Crown”, com seu deathcore matador,  o palco tinha como plano de fundo a capa do ultimo disco “Xenocide”. Apesar de não conhecer a banda, gostei bastante da apresentação.

Em seguida a vez dos finlandeses do Wolfheart, mais uma banda que eu nao conhecia, mas ao avistar o vocalista Tuomas Saukkonen, o reconheci de outros projetos como “Down of Solace” e “Before the Dawn”.

Apesar de não conhecer a banda, gostei bastante da apresentação e o publico que é fã interagiu bastante com a apresentação.

Após isso aguardei a próxima apresentação dos italianos do Graveworm, a banda teve uma ótima apresentação com seu death metal com bastante gutural e uma porrada atras da outra, o publico estava bem satisfeito.

Vale ressaltar que o plano de fundo também chamava bastante atenção, era a capa do ultimo disco “Ascending Hate”.

Depois vieram os americanos da Pensilvânia a banda Incantation. Fizeram uma apresentação com death metal bem técnico, na primeira musica “Abolishment of Immaculate Serenity” o vocalista John McEntee, interrompeu a apresentação por umas 2, 3 vezes porque estava tomando choque na boca, mas depois disso, foi uma porrada atras da outra, sem muita conversa, e os circle pit comendo solto.

A próxima da vez foi os suíços do Eluveitie, me despertava bastante curiosidade, uma vez que praticamente a banda inteira se modificou. Neste momento começou uma forte chuva, e por conta disso a câmera deste que vos fala parou de funcionar, por conta disto nao tenho nenhum registro da apresentação.

A banda iniciou com a ótima “King”, em seguida da “Omnos”, “Quoth the Raven”, a clássica “Epona”.  Apesar da nova formação a banda se mostrava bastante entrosada e nao se deixava abater pelo mal tempo.  A apresentação seguia com musicas já bem conhecidas pelos seus fãs e finalizaram com seu maior sucesso “Inis Mona”.

Pra fechar a noite das bandas que eu vi, foram os mestres do Death Metal, a banda Carcass.  A banda focou bastante a apresentação no ultimo trabalho “Surgical Steel”, fazendo uma grande apresentação pra ninguém botar defeito, sem duvida o show mais insano que eu presenciei do festival. Mesmo chovendo a galera agitou muito, crowd surf, moshpit, circle pit, foi bem insano, a banda finalizou a apresentação com o clássico “Heartwork”.

Após o Carcass, fui reabastecer as energias, comer algo e dormir, apesar de ainda ter duas bandas para se apresentar o meu corpo já não aguentava mais.

Dia 12 de agosto de 2017

Após acordar, tomar café, fui para o local dos shows, a primeira banda do dia foi os britânicos “Oceans ate Alaska”,  realmente não conhecia nada da banda, mas foi uma ótima apresentação de metalcore.

Sai para dar uma volta com alguns amigos, e é interessante como vemos a variedade de pessoas fantasiadas, vestidas com pijamas e fantasias de todo o tipo, unicorini, dinossauro, pikachu, etc… O que me chamou atenção foi um cara com uma camiseta bem true black metal e uma mochila da Hello Kitty, muito troo, isso mostra como muitos headbangers tem um grande senso de humor.

A próxima banda que vi foi os novaiorquinos do Prong, que fazem uma mistura de trashmetal com industrial. Em seu ultimo show da sua tour europeia onde divulgava o álbum “X – No absoluts”, existia uma grande interação entre banda e publico, com as pessoas batendo palmas o tempo inteiro a pedido da banda. (Minha câmera voltou a funcionar, aeee!)

A próxima apresentação foi da banda Decaptated, e apareceram muitos conterrâneos poloneses para apoiar a banda, inclusive tinham uma grande bandeira da Polônia do fan clube oficial. A banda focou no seu ultimo trabalho o album “Anticult” de 2017.

Na sequencia vi a banda britânica de metalcore: Architects, eles iniciaram a apresentação com a faixa “Nihilist” do seu ultimo disco “All Our Gods Have Abandoned Us” na qual eles focaram o seu setlist. A apresentação foi bem pesada, inclusive como sempre com muito crouwndsurf, circle pit, e algo que achei interessante foi o que o vocalista “Sam Carter” fez algumas criticas ao atual presidente Donald Trump, e pregou a união entre as pessoas, fez um discurso repudiando o preconceito e discriminação.

Apos aproximadamente pouco mais de 1 hora de espera, eis que era a vez dos finlandeses do Amorphis, banda que eu estava esperando ansiosamente para ver.A banda iniciou a apresentação com a musica “Under the Red Cloud” do seu disco homônimo, na sequencia “Sacrifice” do mesmo disco, e do clássico “Silver Bride” em seguida o set fica bem variado com musicas atuais e mais antigas, finalizando com a clássica “House of Sleep” onde todos cantaram em uni-sono.

O Festival estava basicamente chegando ao fim para mim, o cansaço já era grande e acumulado, mas busquei forças para conseguir assistir ao show dos noruegueses do Mayhem.

Uma coisa que chamou bastante atenção foi o estilo do palco, eles montaram um cenário parecendo um castelo macabro, os músicos estavam vestidos com túnicas negras que lembravam o visual da morte/reaper. Havia um altar onde o vocalista encenava sua performance sombria. E basicamente tocaram na integra o clássico álbum “De Mysteriis Dom Sathanas” de 1994.

Considerações finais: O festival é uma grande celebração para aqueles que amam esse gênero musical e nos da a oportunidade de conhecer pessoas de todo o mundo das mais diferentes culturas, estilos, localidades, mas que tem o metal alem de um gosto musical, e sim um estilo de vida!

Até a próxima pessoal!

 

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