Apocalyptica @ Tropical Butantã – São Paulo/SP (26/11/2017)

Que o mundo era diferente em 1996 isso é tranquilo de se dizer, mas e este mesmo ano para o Metal como foi, alguns fatos importantes aconteceram nesse ano, entre eles a reunião do Kiss original, Slash deixava o Guns, Sammy Hagar saia do Van Halen, o Manowar lançava Louder Than Hell, o último que presta da banda, o Sepultura conquistava o mundo com o Roots, e o Metallica lançava o tenebroso Load.

Todos medalhões nessa época não estavam tão criativos afinal, o mundo se via com o começo do final do Grunge, e na época ninguém comprava vinis, nem os LP Gourmet a 200 conto que temos hoje, a internet engatinhava, mas um álbum de 4 “moleques” que em violoncelo tocavam Metallica, deu o que falar no mundo inteiro, a qualidade era tanta que eles tiveram um contrato com uma gravadora e lançaram seu primeiro CD Plays Metallica by Four Cellos lançado em Outubro de 1996 que colocaria o Metal no rumo da música clássica e vice versa.

20 anos depois os mesmos músicos, Eicca Toppinen, Paavo Lötjönen , Antero Manninen ( Que voltou a banda para essa Turnê, já que atualmente é músico da Orquestra Filarmônica de Helsinki, e Max Lilja, todos no Violoncelo decidiram fazer a Tour que relembra o início de carreira, e claro só tocando Metallica, e após nossa entrevista, tivemos o privilégio de poder conversar com a banda, e agora finalmente chegava a hora de conferir esse show mais que especial

Um bom público marcou presença no Tropical Butantã, e seria interessante, afinal nos dias de hoje, show que misturam música clássica e rock são comuns, assim como vimos Ara Malakian no Teatro Bradesco era um espetáculo sentado, porém esse não , o palco era como se fosse um show usual de metal que estamos acostumados a presenciar.

A banda entra toda junta, e de cara o grande hit do Metallica que encerra os shows da banda, Enter Sandman, e na sequencia, a fodástica, Master of Pupets, e ali já havíamos o quão diferente é e como o rock e a música clássica tem em comum, com Riffs, compassos e andamento, tudo parecia ser feito para Violoncelo, que até o lançamento da banda, muitos se quer conheciam o instrumento, então o líder da banda, Eicca Toppinen vem ao microfone pela primeira vez e fala, sobre a origem da banda a volta de Antero para essa tour, e avisa, que como a banda não tem vocalista, naquela noites as vozes seriam do público e anuncia “Harvest of Sorrow”, em uma versão mais densa e pesada.

Claro que as faixas do Black Álbum são mais conhecidas e tiveram uma resposta maior da plateia que logo aos primeiros acordes da belíssima “The Unforgiven” era cantada pela maioria, e seguida ainda, por “Sad but True”, em um palco que destacava os músicos sentados em pose e traje de orquestras que ora se levantavam ora headbangeavam e a mescla das sonoridades era muito diferente aos ouvidos.

“Creeping Death”, do íconico Ride The lighting não ficou de fora, e assim o disco que já completou 20 anos era tocado faixa após faixa, “Wherever I May Roam”, cantada por todos, e nem é uma das mais queridas do Metallica e finalizam com a única canção do set que achei que ficou meio “xoxa” ao violoncelo que termina o disco e a comemoração ao aniversário do álbum onde a banda deixa o palco por alguns instantes, como tradicionalmente vem sido feito nesta Tour.

A volta seria a continuidade do set, tocando apenas Metallica e começam com a mesma pegada com a fortíssima, “Fade to Black” onde quando a música ganha peso finalmente entra o baterista Mikko Sirén que faz um puta diferencial nessa faixa, deixando ela ainda mais viajante do que a conhecemos com o Metallica. Em seguida vieram mais duas do Ride the Lighting, a primeira ” For Who the fucking bells tolls”, seguida por “Fight fire with Fire”, que mesmo excepcional não teve o mesmo impacto que outras faixas.

As surpresas da noite vieram na sequência, a tradicional homenagem a Cliff Burton com “Orion” que na versão do Apocalyptica ficou estrondosa e “Escape” que por mais que gostemos dessa faixa, são raríssimas as vezes que o Metallica a executou ao vivo, e na verdade apenas lembro de tê-la sido executado no Orion Festival quando executaram o Ride the Lighting na íntegra, e Escpae também teve uma versão primorosa, que até parecia que o Metallica a havia escrito a canção a partir de uma versão clássica.

O final foi mais que apoteótico, com Battery e a tradicionalíssima, “Seek and Destroy” músicas que contagiam qual ser vivo que aprecia uma boa música, e pensava ali vai terminar, mas dúvido que eles não vão tocar uma versãozinha do Sepultura para Refuse/Resist, e porra é o Sepultura então evidente que o público aplaudio a banda encerrando assim a primeira parte da apresentação como costumamos dizer.

O bis veio com a balada ” Nothing Else Matter” e terminando com “One”, e que show empolgante e diferente de se ver, sem guitarra alguma e sendo pesado pra caralho e ficamos na vontade de que a banda que não tem o costume de vir muito para a América Latina, já que nesses vinte anos, vieram apenas três vezes, possam vir, com seu vocalista e apresentar as músicas próprias com seu vocalista cantando as faixas do seu álbum Shadowmaker por exemplo.

Parabéns Apocalyptica e que venham muitas outras oportunidades como essa.

 

Enter Sandman

Master of Puppets

Harvester of Sorrow

The Unforgiven

Sad but True

Creeping Death

Wherever I May Roam

Welcome Home (Sanitarium)

 

Fade to Black

For Whom the Bell Tolls

Fight Fire With Fire

Orion

Escape

Battery

Seek & Destroy

Refuse/Resist

 

Encore:

Nothing Else Matters

One

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Tags: Apocalyptica

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Sobre o autor:

Marcos Cesar de Almeida:
"Metaleiro das antigas" ou Tiozinho dos shows, Torcedor do Monte Azul, ouço todas as vertentes do Metal, Hard, folk, death, THrash, tendo distorção e bem feito tá valendo. Twiter : @BULLINO

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