Iron Maiden – The X Factor

Iron Maiden – The X Factor

Ano de lançamento:

1995

Gravadora:

EMI

Review:

Eis um disco clássico, mas extremamente injustiçado pela brucetes (ou seja, os fãs radicais e tietes de Bruce Dickinson).

Lançado em 02 de Outubro de 1995, ‘The X Factor’, décimo disco de estúdio do IRON MAIDEN, mostrava algo que os fãs não viam desde 1988: ousadia.

Sim, pois ‘No Prayer for the Dying’ de 1990 foi uma tentativa da banda de resgatar a simplicidade inicial de sua carreira (que mostrou-se algo turbulento e sem sucesso), onde a banda enfim mostrava cansaço, bem como em ‘Fear of the Dark’, disco com uma única música digna de méritos (‘Be Quick or Be Dead’), mas os atritos internos (evidentes em declarações de Bruce Dickinson em entrevistas após sua saída da banda, bem como evidente em seus discos solos até ‘Accident of Birth’) já estavam claros na música do quinteto (e o coitado do Janick Gears, um ótimo guitarrista, pagava a conta aos olhos dos fãs), que não estavam indo bem como antes. E assim, Bruce saiu e foi tentar carreira solo, e o futuro do MAIDEN, aos olhos de muitos, estava incerto.

Após milhares de audições de tapes de candidatos à vage, o vocalista Blaze Bayley (ex-WOLFSBANE), foi escolhido, e trouxe um timbre mais grave e forte que seu antecessor, mais encorpado, e que se encaixava bem na nova abordagem que o quinteto estava para fazer, algo mais introspectivo, intenso e soturno, mas inovador, como o MAIDEN tinha o costume de fazer em seus tempos áureos.

Este é o primeiro disco da banda desde ‘Iron Maiden’ onde realmente o mago Martin Birch está completamente ausente, sendo substituído por Steve Harris (que já havia trabalhado na produção de ‘Fear of the Dark’, mas em conjunto com Martin) e Nigel Green, e a sonoridade que flui do CD é de uma limpeza enorme, com bastante clareza em cada nota e timbre, dando força à música da banda, com as guitarras e baixo bem evidentes. A arte é outra inovação, pois novamente ao invés de usarem desenhos de Derek Riggs (que fez todas as capas da banda desde o primeiro disco) ou Melvyn Grant (que fez a de ‘Fear of the Dark’), a preferência foi pela arte quase viva de Hugh Syme, o que causou alguns problemas, pois em alguns lançamentos, a capa foi trocada por outra com imagens não tão fortes, mostrando Eddie à distância, enquanto a imagem original foi colocada na última página do encarte, e de certa forma, mostra que o IRON MAIDEN estava vivo e forte.

Musicalmente, ‘The X Factor’ nada deve a nenhum de seus antecessores clássicos, pois apesar do novo ‘approach’ do quinteto, a mesma personalidade que os impulsionou a se tornarem a banda mais popular de Heavy Metal de todos os tempos estava ali, intacta e viva. As composições estão com uma atmosfera densa, obscura e intensa, mas com os mesmos elementos empolgantes de antes. Ou seja, um disco composto por vários clássicos como a longa e maravilhosa ‘The Sign of the Cross’, com ótimas guitarras e a voz de Blaze enchendo-a de vida desde seu início declamado até o ótimo refrão, e cuja letra se inspira no clássico literário ‘O Nome da Rosa’, de Humberto Eco (leiam, pois vale a pena); a empolgante e forte ‘Lord of the Flies’, cujo refrão gruda no ouvinte de forma instantânea, apresentando um trabalho diferenciado de baixo e bateria (o que em termos de IRON MAIDEN, é uma marca registrada); a acessível e mais comercial ‘Man on the Edge’, outra com refrão extremamente grudento e as guitarras mostram riffs e solos ótimos (e é um dos clipes do disco); a introspectiva e densa ‘Fortunes of War’, novamente usando o expediente de um início melodioso e lento, onde o baixo se sobressai lindamente, para depois ganhar energia e peso em um andamento mais moderado, mesmos elementos de ‘Look for the Truth’; a energética e trabalhada ‘The Aftermath’, com Blaze mostrando uma ótima diversidade agressiva; e a complexa ‘Blood on the World’s Hands’, novamente com Blaze mostrando o motivo de sua escolha para frontman da banda. O ‘resto’ do disco é apenas excelente.

Um disco histórico e clássico, que merecia bem mais que ‘ah, mas não é o Bruce…’ e outros mi-mi-mis ouvidos até a exaustão de fã-náticos.

Aliás, pode-se dizer que foi o último disco onde o IRON MAIDEN mostrou vida própria, já que ‘Virtual XI’, apesar de ser um bom disco, não chega a ser clássico, e com a volta de Bruce, a banda enterrou de vez tudo o que ela representou, pois vive de seu passado glorioso. Mas para brucetes e fã-náticos, é preferível que a banda vire uma figuração de Eddie, ou seja, um zumbi, do que ser ela mesma.

Tracklist:

01. Sign of the Cross
02. Lord of the Flies
03. Man on the Edge
04. Fortunes of War
05. Look for the Truth
06. The Aftermath
07. Judgement of Heaven
08. Blood on the World’s Hands
09. The Edge of Darkness
10. 2 A.M.
11. The Unbeliever

 

Formação:

Blaze Bayley – Vocais
Dave Murray – Guitarras
Janick Gers – Guitarras
Steve Harris – Bass
Nicko McBrain – Bateria
Michael Kenney – Teclados (convidado)
The Xpression Choir – Canto gregoriano (em ‘The Sign of the Cross’)

 

Contatos:

http://www.ironmaiden.com
https://www.facebook.com/ironmaiden?fref=ts