Nação Zumbi: lança CD de versões no Sesc Pompeia

Símbolo do movimento manguebeat, a banda Nação Zumbi faz uma série de três shows na Comedoria do Sesc Pompeia para lançar o CD Radiola NZ Vol. 1, seu primeiro disco composto somente de releituras. Marcadas para o fim de semana de 15 a 17 de dezembro, as apresentações encerram a programação musical do ano no Sesc Pompeia.

Formado por Jorge Du Peixe (voz), Lúcio Maia (guitarra), Dengue (baixo), Pupillo (bateria), Toca Ogan (percussão), Marcos Matias, Tom Rocha e Da Lua (alfaias), o grupo toca versões “zumbificadas” de músicas importantes na história da banda, como “Refazenda” (Gilberto Gil) e “Amor” (Secos & Molhados), entre outras.
Espécie de playlist em forma de disco, “Radiola NZ Vol. 1” coleciona inspirações musicais do quinteto, que nos últimos anos garimpou as canções que mais lhe traziam boas lembranças. Além de “Refazenda”, que abre o disco, o repertório conta ainda com “Balanço” (Tim Maia, 1973), “Amor” (João Ricardo e João Apolinário, 1974), “Não Há Dinheiro que Pague” (Renato Barros, 1968), “Do Nothing” (Lynval Golding, 1980), “Dois Animais na Selva Suja da Rua” (Taiguara, 1971), “Tomorrow Never Knows” (John Lennon e Paul McCartney, 1966), “Sexual Healing” (Marvin Gaye, Odell Brown e David Ritz, 1982) e “Ashes to Ashes” (David Bowie, 1980).

O lançamento digital de “Radiola NZ Vol. 1” aconteceu em 24 de novembro, nas plataformas de streaming, em edição do selo Babel Sunset. Já a edição física, em CD, chega ao mercado em dezembro. Para a alegria dos fãs,  o aposto “volume 1”, que complementa o nome do novo disco, parece revelar a vontade do grupo em dar continuidade ao projeto. Tomara.

As apresentações da banda Nação Zumbi no Sesc Pompeia fazem parte do projeto Plataforma, que engloba o lançamento de shows musicais inéditos, CDs e DVDs.

Análise do novo disco, por Rodrigo Brandão 
É senso comum, no panteão da música brasileira, que a Nação Zumbi é a banda mais multifacetada que você respeita. Assim tem sido desde a década 1990, e contando. Durante sua trajetória até aqui, eles compilaram uma verdadeira paleta de sabores sonoros, com tamanha identidade e propriedade, que passou a ser normal alguém dizer que determinado grupo ou música “parece Nação Zumbi”. 

Por essas razões, já se tornam bons candidatos a assinar um álbum de versões de material alheio. O que nos leva ao novo Radiola NZ Vol 1. De Johnny Cash a Rage Against The Machine, a história da música pop tem uma boa lista de discos de reinterpretações que soam como trabalhos autorais. É o caso aqui.

Isso porque a Nação tem uma facilidade fantástica de fazer as mais diversas influências se manifestarem em seu som, sempre de forma orgânica, nunca formal ou forçada. E, muito importante, um talento natural para injetar estilo próprio ao tocar música de outros artistas, sem no entanto descaracterizar a canção original. Se apropriam sem diluir a essência. 

Quem acompanha os shows da banda sabe…São famosas as versões deles pra “Sophisticated Bitch”, do Public Enemy, “Purple Haze”, do Jimi Hendrix, ou “Room Full Of Mirrors”, do Kraftwerk. Sem falar no projeto paralelo Los Sebozos Postizos, dedicado à obra de Jorge Ben, e no “Maracatu Atômico” de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, transformado em eterno hino por Chico Science & Nação Zumbi.

Esse superpoder permite uma seleção que poderia soar inusitada, talvez até desconexa, não fosse o caso. No Radiola, a NZ mira na Tijuca dos primeiros anos 1960, ao tocar Tim Maia, Roberto (via Renato Barros, em “Não Há Dinheiro Que Pague”) e Erasmo (via Taiguara, em “Como Dois Animais Na Selva Suja Da Rua”)

Mas também tem The Specials, referência fundamental desde os primórdios do mangue beat; tem Ney Matogrosso revendo Secos & Molhados pelo filtro de Zumbi em “Amor”. E os cânones dos Beatles (a lisérgica “Tomorrow Never Knows”) e Marvin Gaye (“Sexual Healing”).
 
O primeiro single é “Refazenda”, de Gilberto Gil, parceiro da banda desde “Macô”, hit de Afrociberdelia. Num encontro frutífero com o maestro Lettieres Leite e seus comparsas da Orquestra Rumpilezz, cuja relação com a obra de Gil é profunda, a Nação realça um elemento de sua alquimia musical que andava mais discreto em anos recentes: tropical e colorido, pop sem deixar de ser roots.

A escolha é certeira, traduz o tom do trabalho, embebido de leveza sem deixar de lado a densidade. Uma dose bem-vinda de descontração em tempos bicudos. É como diz aquele refrão do próprio Jorge Du Peixe: dá-lhe viver!

Sobre Nação Zumbi
Há 23 anos, o grupo nascido nas cercanias de Recife lançava seu primeiro registro, “Da Lama ao Caos”, álbum de estreia de Chico Science & Nação Zumbi. O trabalho marcou o nascimento de um movimento que viria a desestabilizar o eixo da produção musical no país. Assim como a obra de outras bandas conterrâneas, o som da Nação Zumbi representava o expressar sonoro dos caranguejos com cérebro, da parabólica na lama, e tudo o mais que as pessoas sabem, sentem, ou ouvem dizer como manguebeat. O segundo álbum, “Afrociberdelia”, foi lançado em 1996, menos de um ano antes da morte de Chico Science. No entanto, o grupo se reestruturou e acumulou mais sete álbuns de estúdio – “CSNZ” (1998), “Rádio S.Amb.A” (2000), “Nação Zumbi” (2002), “Futura” (2005), “Fome de Tudo” (2007), “Nação Zumbi” (2014) e, agora, “Radiola NZ Vol. 1” (2017). Hoje, a banda suscita o manguebeat, mas também faz nascer outros sons.
Site oficial na Nação Zumbi: www.nacaozumbi.com.br
Facebook da Nação Zumbi: www.facebook.com/nacaozumbi
Ouça “Radiola NZ Vol. 1” (Spotify): https://goo.gl/Fw34Y7

SERVIÇO: 

Nação Zumbi
Projeto Plataforma – Lançamento do CD “Radiola NZ Vol. 1”
De 15 a 17 de dezembro, sexta e sábado, às 21h30, e domingo, às 18h30
Comedoria
*A capacidade do espaço é de 800 pessoas. Assentos limitados: 150. A compra do ingresso não garante a reserva de assentos. Abertura da casa às 20h.

Ingressos: R$ 12,00 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$ 20,00 (pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$ 40,00 (inteira).
Venda online esgotada. Venda presencial, nas unidades do Sesc SP, a partir de 6 de dezembro, quarta-feira, às 17h30.
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 18 anos.

Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93.
Não temos estacionamento. Para informações sobre outras programações, acesse o portal sescsp.org.br/pompeia

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