Mulheres do Rock: livro conta história do rock brasiliense sob a ótica feminina

Escrito por figuras atuantes dos primeiros passos do rock de Brasília, o livro “Mulheres do Rock – O rock do DF e do Entorno sob o ponto de vista feminino” foi uma iniciativa de Fellipe CDC (Death Slam e Terror Revolucionário) e Tomaz André (Zine Oficial) e reúne memórias e reflexões de seis mulheres envolvidas com a cena rock no Distrito Federal. São elas: Alice Gabriel, baterista do Gulag; Ludmila Gaudad, do Estamira; Andréa Tormentor, ex-vocalista do Valhala; Bianca Martim, ex-Bulimia e Pulso e atual baixista do Rebel Shot Party; Rosane “Zane” Galvão, baixista do Flammea; e Márcia Priscila, colaboradora do festival Headbanger’s Attack.

O lançamento é datado de setembro de 2010 e suas 160 páginas compartilham com o leitor um pouco da história do rocker candanga a partir dos anos 80, além da experiência feminina no underground daqueles anos até nossos dias. Mesmo espalhadas pelas diversas cenas, do punk ao metal, as histórias das seis autoras se cruzam em diferentes épocas e em locais já não existentes da cidade, outrora pontos de encontro de fãs do estilo. “Descobri na 109 Sul, o Bar do Luiz, Arabeske, Beirute e toda confusão que rolava nesses lugares. Eu já estava submersa por esse estilo de vida, das baladas diurnas no Espaço Cultural (508 sul) às festas demoníacas do Cacalo”, revela Bianca, já nas primeiras páginas. A linguagem do livro é bem pessoal, biográfica e narra o envolvimento profissional com a música, hábitos, nomes de bandas e marcos da cena. Andréa relata seus primeiros passos como fã de metal: “Foi interessante relembrar tantas histórias. Claro que foi impossível contar tudo em detalhes, pois foram muitos acontecimentos. No livro, falo muito do sentimento do que é ser headbanger e mulher”. Zane, por sua vez, comenta sobre como a interação entre os fãs acontecia: “Nos correspondíamos com o mundo todo, trocando fitas k7 e flyers de shows. Curiosamente, o disco da Flammea foi lançado na Alemanha na época e só fui saber disso recentemente”.

“Por que nós, mulheres, não conseguimos fazer isso — um livro sobre a nossa participação no rock — antes dos homens?” Essa questão, levantada por Ludmila, de certa forma, deu a tônica das quase duas horas de conversa durante o lançamento, onde estavam presentes cinco das seis autoras, que trocaram experiências com o público, parcialmente formado por outras mulheres que, cada uma à sua maneira, também colaboram com o underground local. O debate passou por feminismo, o papel e a inserção das mulheres na sociedade e sua atuação no rock, seja na produção de eventos, fazendo zines ou tocando.

Alice, Ludmila, Andréa, Bianca e Zane

Mas engana-se quem pensa que o documento se limita a apresentar as diferenças entre os sexos presentes na música. Ludmila dá conta que o livro vai além: “Até hoje este é um tema delicado para mim, pois ao mesmo tempo em que acho importante fortalecer uma identidade de mulher musicista, já que ela na é pressuposta como a do homem músico, também gostaria apenas de ser vista como alguém que integra uma banda boa, independente de haverem mulheres ou não em sua composição.” Narrativas como surgimento do Valhalla ou as reuniões no Calabouço da UnB conferem ao livro referências históricas.

Mais informações: zineoficial.com.br

FONTE:

rockbrasilia.com.br

correiobraziliense.com.br