Entrevista: Marcelo Vasco (Metal Artist)

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1) Olá Marcelo, Tudo bem? Antes de tudo eu queria que você se apresentasse aos nossos leitores. Quem você é e o que você faz?

MARCELO – Me chamo Marcelo Vasco, tbm conhecido como Marcelo Hvc, sou carioca, porém vivendo já há alguns anos na Serra Gaúcha, numa pequena e linda cidade chamada Carlos Barbosa. Sou designer gráfico autônomo desde 1995 e direciono meu trabalho à criação de projetos para a mídia impressa e eletrônica, quase sempre publicações através de ilustração digital como desenvolvimento gráfico para CD/DVD/LP, identidade visual, design promocional e campanhas públicas focadas na cultura musical underground. Desde 2007 sou contratado da Indie Recordings, o maior selo/distro da Noruega, como seu designer gráfico oficial. Já fiz trabalhos para grandes bandas como o Borknagar, Belphegor, Dimmu Borgir, Obituary, Satyricon, Enslaved, Vader, Keep of Kalessin, Absu, entre muitas outras, e atualmente também trabalho como freelancer para selos como Nuclear Blast, Regain Records, Metal Blade, Napalm Records, Candlelight Records, Massacre Records, entre outros.

2) Você é um dos mais conceituados e requisitados designers de capas de bandas de música extrema. Como você entrou nesse ramo?

MARCELO – História comprida hehe Mas lá vai…Comecei de forma amadora por volta de 1995… fazendo trabalhos para amigos  e minhas próprias bandas. Ainda antes disso já era ligado a arte indiretamente, através da música. Toco violão desde muito cedo, cheguei a me formar em violão clássico, e  lá pelos 13/14 resolvi começar a tocar guitarra, obviamente influenciado pelo Metal. Sempre fui fascinado pelas capas dos discos e também pelas capas de filmes de terror/ficção da época, outra paixão desde moleque. Em 1995 não existiam ainda cursos que pudessem me dar uma formação da forma que eu queria, então comecei como auto-didata, dando minhas cabeçadas e aprendendo com a mão na massa. Eu já levava jeito para o desenho livre e meu pai sendo analista de sistemas e lidando com informática desde que eu me entendo por gente, acabei tendo um acesso à possibilidade do design digital antes do previsto. Com a chegada da internet no Brasil, tudo ficou ainda mais viável. Comecei a me arriscar a mexer nos programas, pesquisar, estudar estilos e tendências e experimentar tudo que me vinha a cabeça. Durante anos foi tudo feito de maneira arcaica, quando em 1998 ou 1999 se não me engano, comecei a trabalhar profissionalmente e nunca mais quis outro tipo de trabalho.

Fiz alguns trabalhos para bandas brasileiras mais underground, sem muita expressão na época, pois estavam ainda no início de carreira… como é o caso do Unearthly, Malefactor e o Mysteriis, onde eu também atuava como guitarrista, e foi quando assinei minha primeira capa internacional, já para uma banda renomada, o Lord Belial da Suécia. A partir disso muitas portas se abriram e em 2000 e pouquinho houve a criação de uma faculdade de design gráfico no RJ, que quando tomei conhecimento logo fui fazer o vestibular e me matricular. Apesar daquilo não ser exatamente o que eu imaginava, consegui aprender muita coisa e ter uma experiência significativa, mesmo que nada tivesse ligação diretamente a minha verdadeira paixão. Conclusão, me formei, adquiri uma vasta experiência e embasamento técnico, porém continuei meu trabalho como ilustrador digital de maneira intuitiva, como aquele mesmo auto-didata no início de seu deslumbramento hehe. É claro que com a prática, com a experiência visual e com milhares de experimentos, fui melhorando e adquirindo uma maneira própria de criar minhas artes e é o que eu venho sempre fazendo até os dias de hoje, tentando me reinventar a cada trabalho.

A capa que fiz para o Lord Belial foi o início de uma jornada, pois logo acabei fazendo outra e mais outra, além de artes para bandas menores no Brasil e fora, só que foi por volta de 2006 que as coisas tomaram maiores proporções, logo depois que casei e com a ajuda da minha mulher, pude me dedicar mais a divulgação do meu trabalho. Foi quando eu assinei a capa do DVD do Vader, outro grande marco na minha carreira. Nesse período conheci o Tom Cato Visnes vulgo King ov Hell (naquela época baixista do Gorgoroth, banda norueguesa de Black Metal), que logo se tornou um grande amigo e me indicou para alguns trabalhos, que de pouco a pouco foi me rendendo vários novos clientes e ótimas oportunidades. Nesse período, além de fazer freelance com minhas artes, eu trabalhava há pouco mais de 4 anos como designer numa empresa de produtos para o corpo (a maior empresa online do gênero no Brasil). Mas com alguns problemas pessoais e diante daquele rio de oportunidades que estava surgindo na minha frente, acabei tomando coragem para chutar o balde, pedidemissão, nos mudamos para a Serra Gaúcha (na cidade da minha esposa), abri meu próprio escritório e me dediquei inteiramente ao meu trabalho, com foco principal no Metal. Já fazia alguns trabalhos aleatórios para o maior selo e distribuidora norueguesa de Metal, a Indie Recordings, quando fechamos uma  parceria e entrei para a equipe deles como designer em tempo integral. Pronto, estava trabalhando com o que eu realmente sempre quis, trabalhando como louco, mas extremamente feliz e realizado! A partir dai me dediquei ao máximo, trabalhei também para selos como Nuclear Blast e Napalm Records, e com meu nome na praça, não foi difícil conseguir diversos novos clientes, desde bandas desconhecidas até artistas de renome como o Borknagar, Belphegor, Obituary, Dark Funeral, Enslaved, Satyricon, Dimmu Borgir, Keep of Kalessin, Malevolent Creation, entre muitos outros.

3) Com quais bandas você já trabalhou?

MARCELO: Dimmu Borgir, Dark Funeral, Obituary, Borknagar, Vader, Belphegor, Enslaved, Devian, Absu, Satyricon, Mortiis, Audrey Horne, Sahg, Chrome Division, Keep of Kalessin, Lord Belial, Gorgoroth, Mongo Ninja, Kvelertak, Solefald, Einherjer, Vreid, 1349, Job for a Cowboy, Engangsgrill, Stonehard, Sarke, Djerv, Taake, Shining, Ov Hell, Godseed, Malevolent Creation, Gehenna, Suffocation, Azaghal, Decreptic Birth, Grave, Misery Index, The Faceless, Cronian, Hellsaw, Ad Hominem, Funeral, In Vain, Trinacria, Wardruna, Iskald, Merauder, Necrophagist, Born of Osiris, Trident, Red Harvest, Necrophagia, Hate, Dead To This World, Thornium, Mencea, Distraught, Korzus, The Ordher, Nervochaos, Bywar, Besatt, Thorns of Evil, Patria, Vinterthron, Grave Desecrator, Malefactor, Darkest Hate Warfront, Unearthly, Mysteriis, Saevus, Enterro, Coldblood, Demonolatry, Impious, Exhortation, Laconist,Warmachine, Deus Inversus, Glitter Magic, Infernaeon, Savage Messiah, Social Suicide, Silva Nigra, Beyond Guilt, Sodomizer, Hellkommander, Agorhy, Ancientblood, Horncrowned, Forest of Demons, Malfeitor, Vemoth, Blood Stained Dusk, Murder Rape, Rape Pillage And Burn, Braindead, Incassum, Arkanger, Code ecoded, Noctum, The End of All Reason, Sagaris, Cruscifire, Yigael’s Wall, Nailed, Acod, Armaros, Sieghetnar, Ainarikiar, Deride, Bane, I Shalt Become, Fallujah, Nephilin, Spartan Discipline, Sothis, The Spirits of the Dead, Drakonian Age, Land of Tears, Kråke, Oslo Ess, Wintersoul, Munruthel, Dagor Dagorath, entre outras…

4) Como é o processo criativo de uma capa de disco? Você recebe alguma dica das bandas ou desenvolve tudo sozinho?

MARCELO – Geralmente a criação de minhas ilustrações são baseadas no conceito do álbum, título ou letras. Obviamente algumas vezes a banda já vem com uma ideia concreta em mente, coisa que eu particularmente não sou muito fã, pois além de travar qualquer criatividade que eu possa ter em cima daquele conceito, faz com que o trabalho seja muito mecânico e acabe não tendo um resultado muito bom. Fora que algumas ideias são simplesmente horríveis e cafonas, coisas que eu muitas vezes prefiro não assinar. Antes de qualquer coisa, procuro estar sempre explicando para a banda como funciona o meu processo de trabalho. Se a banda concorda com minhas diretrizes, já é meio caminho andado. Então começo uma série de rascunhos até que eu encontre um caminho interessante a seguir. Diante disso eu mostro para a banda e ela aprovando, começo um trabalho mais minucioso, trabalhando numa melhoria e maior riqueza de detalhes até sua finalização.

5) Quais foram os artistas gráficos e suas influências quando você começou a trabalhar na concepção de capas de discos?

MARCELO – Minhas principais influências vem dos filmes de horror e ficção científica dos anos 80, quadrinhos, como também das capas de discos das bandas de Heavy Metal. Acho que minhas principais influências são HR Giger, Salvador Dali, Andreas Marshall, Travis Smith, Dan Seagrave, Gustave Doré, Joachim Luetke, Larry Carrol, entre outros que não me recordo agora.

6) De onde você busca inspiração para os seus trabalhos? Algum artista gráfico em particular. 

Marcelo – Além da música em si, sou fanático por cinema…Filmes de horror, ficção científica, era medieval, mitologia e guerra! Isso é algo que me prende numa cadeira por horas e mais horas!

7) Que tipo de som você escuta? Todas as bandas que você trabalha? ou não necessariamente.

MARCELO – Não necessariamente. Nem sempre eu gosto da música da banda para a qual eu trabalho, mas como meu foco é o heavy metal, principalmente seu lado mais obscuro, eu acabo gostando de praticamente 90% de tudo que faço. Eu escuto de tudo na verdade, ou quase tudo… Bom, generalizando dentro do Metal eu gosto bastante de Black Metal dos anos 90, Death & Thrash dos anos 80 e início de 90. Fora do Metal, eu gosto muito de progressivo, música clássica, trilhas sonoras, alguma coisa de pop-rock/hard rock, bandas de rock brasileiras dos anos 80, chorinho, jazz/fusion e por ai vai…

8)Gostaria de agradecer pela entrevista concedida muito legal poder  entrevistar você, um artista que tem um trabalho diferenciado e contribui para o metal extremo .Parabéns pelo ótimo trabalho.  

MARCELO – Legal, eu que agradeço o interesse no meu trabalho e o espaço dado pra divulgação do mesmo. Obrigado! Grande abraço a todos!!!

Segue 5 cds favoritos do Marcelo Vasco:
SLAYER – Reign In Blood
DREAM THEATER – Images And Words
BATHORY – The Return
DEATH – Symbolic
DR. SIN -Dr. Sin

Contatos:
Marcelo Vasco (Metal Artist )
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