Shadowside: Dani Nolden em entrevista ao ROCKSBLOG

Confir abaixo a entrevista cedida pela vocalista do Shadowside, Dani Nolden, falando sobre seu início no Heavy Metal, gravação do novo álbum e a recente turnê com o WASP pela Europa. A entrevista foi cedida ao Geraldo Andrade e Karen Waleria do RocksBlog (entrevista original).

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ROCKS -Muito obrigado Dani, por nos atender durante as gravações. Imagino que deva estar a maior correria aí.

Dani – É um prazer, obrigada pelo espaço!

ROCKS – Vou começar com uma pergunta bem básica, que você deve estar cansada de responder.
O que te levou a ser uma vocalista de Heavy metal? Como tudo começou?

Dani Sinceramente? Foi pura preguiça (risos). Quando comecei a me interessar por Rock e Heavy Metal, minha vontade inicial foi de tocar guitarra. Eu comprei a guitarra mais barata da loja, levei pra casa e tentei tocar… e obviamente, descobri que não conseguia tocar nem um acorde (risos). Procurei um professor, mas tinha que fazer exercícios, levaria meses até conseguir tocar algo que pareceria uma das minhas músicas favoritas… então comecei a cantar, simplesmente porque descobri que conseguia cantar as músicas que eu gostava. É claro que soava muito mal e estava longe de ser bom, mas ao menos eu conseguia me divertir com aquilo e as pessoas ao menos conseguiam reconhecer a música quando eu as cantava, o que não acontecia quando eu fazia barulho na guitarra(risos). Foi assim que acabei me interessando cada vez mais por cantar. Eu gostava de cantores como Sebastian Bach, Rob Halford, Steven Tyler, que são alguns de meus favoritos até hoje.

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ROCKS – Como você “trata” essa voz, que é considerada uma das mais poderosas do metal mundial?

Dani – Obrigada… eu trato sem cuidados exagerados. Apenas procuro me manter saudável, em forma, dormir bem. Não falo demais antes dos shows, especialmente alto. Se você toma cuidados básicos com a sua saúde, com seu corpo, sua voz vai ficar em boas condições também.

ROCKS – Primeiro parabéns pela Turnê pela Europa com o Wasp, em out/Nov/dez de 2010. Como foi dividir o palco com Blackie Lawless? Considerado um cara difícil de trabalhar. Conta como foi essa tour.

Dani – É aqui que eu vou desapontar a maioria, porque não tenho uma palavra ruim para falar sobre Blackie Lawless (risos). Ele não foi difícil em momento algum. Eu observei apenas que ele é bem reservado e acho isso perfeitamente compreensível… quando tem tantos boatos e histórias sobre você na internet, imagino que você já começa o contato com as pessoas de forma meio defensiva e foi isso que aconteceu conosco. No início, todos eram bem distantes, o tratamento era estritamente profissional, exceto com o guitarrista Doug que sempre foi o mais aberto. Porém conforme o tempo passou e eles perceberam que não significaríamos problemas para eles, tudo ficou mais flexível e relaxado. Nos divertimos do começo ao fim da turnê e ainda tivemos muita ajuda da equipe deles, especialmente lidando com a neve que mais de uma vez nos deixou presos. A piada da turnê logo na metade já era que se saíssemos do local do show antes deles, eles nos encontrariam no caminho atolados em algum lugar (risos). Com Blackie, tivemos muito pouco contato, mas ele foi muito atencioso conosco e é claro, nos deu a chance de dar um passo bem grande na Europa. Precisaria ser muito ingrata para falar mal dele, da banda ou da equipe. Foi uma honra dividir o palco como a banda convidada de um grupo tão importante e com tanta história como o WASP.

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ROCKS – Quando se fala em metal no Brasil, infelizmente, a grande maioria das pessoas lembram de determinadas bandas, esquecendo outras grandes bandas que existem em nosso país. Você concorda com isso? A Shadowside tem um reconhecimento espetacular no exterior, vide essa ùltima tour.Fale sobre isso.

Dani – Isso é reflexo do grande número de bandas que existem hoje, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Há 20 anos atrás, gravar um disco não era tão simples assim. Hoje qualquer um pode fazer um CD, pode não ser a melhor produção do mundo, mas é relativamente fácil colocar algo no mercado. Hoje você precisa provar que você merece atenção e reconhecimento no meio de centenas de bandas, muitas delas excelentes. Eu não acho que as pessoas se esquecem das boas bandas brasileiras por maldade, em muitos casos eles simplesmente não conhecem ou demoram para começar a levar uma banda a sério. Se 50 bandas são apresentadas a você, você não vai ter curiosidade de escutar todas elas, a menos que elas estejam chamando a atenção de muita gente. Eu não sou frustrada com o reconhecimento ou qualquer falta dele no Brasil. Não lamento que não temos mais fãs do que temos, ao contrário. Sou extremamente grata pelos fãs que nós temos, continuamos fazendo nosso trabalho e a cada material que lançamos, cada turnê que fazemos, crescemos mais. Esse é nosso único objetivo e, na minha humilde opinião, deveria ser o objetivo de toda banda brasileira. Temos que nos preocupar menos em ser rockstars e mais em trabalhar para crescer e evoluir. O sucesso é consequência de algo bem feito e cultivado com carinho. Se você mantém isso durante 5, 10, 20 anos, sua banda acabará sendo lembrada como uma das grandes do país naturalmente.

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ROCKS – “Gag Order”,como foi a divulgação e aceitação do público?

Dani – Foi excelente! Nós tocamos essa música para testar o novo álbum. Decidimos que ela era uma boa representante da direção do novo trabalho, então se as pessoas não gostassem da música, nós teríamos um problemão em mãos (risos). Mas nós percebíamos as pessoas batendo cabeça, tentando acompanhar a letra e se divertindo. Acredito que isso mostrou que estamos no caminho certo com o que está por vir no próximo CD.

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ROCKS – Como está sendo a gravação do novo álbum, no Studio Fredman na Suécia? Como é trabalhar com um dos melhores produtores de metal da atualidade, Fredrick Nordstrom?

Dani – Nós já  finalizamos todas as baterias e boa parte das guitarras. Estamos gravando solos e eu começo a gravar os vocais esta semana. Eu posso dizer sem medo que todas as minhas expectativas foram superadas desde o primeiro dia de gravação. Acredito que vamos sair daqui com o melhor material que já fizemos até hoje, tanto pelas músicas quanto pelo som que Fredrik está tirando. Ele é uma pessoa extremamente fácil de lidar, sabe tirar a melhor performance possível de um músico e o clima com ele no estúdio é sempre bem-humorado. Todos estamos nos divertindo com essa gravação. Nas outras vezes, sempre teve aquela pontinha de estresse e preocupação, mas dessa vez tudo está natural e leve, fluindo incrivelmente bem.

ROCKS – Você falou numa entrevista que no álbum “Dare to Dream”, vocês iriam tirar o Maiden e Priest do som do Shadowside, e vocês conseguiram,o álbum tem a personalidade da banda. E o novo álbum,como vai ser?

Dani – Na verdade, não era apenas o Maiden e o Priest… o que eu quis dizer é que queríamos tirar tudo que soasse como uma cópia, como você disse… sem personalidade. Não apenas o que parece com essas duas bandas. Mas nós precisávamos buscar uma coisa nossa, não vejo problema em deixar transparecer alguma influência, mas identidade é algo fundamental. E depois que fizemos o Dare to Dream, ficou muito mais fácil desenvolver o que consideramos ser nossa identidade exatamente porque esse foi o álbum que fizemos tudo para evitar que nossas influências aparecessem demais. Há alguns dias perguntamos para Henrik Udd, que está trabalhando no álbum como assistente do Fredrik, como ele nos rotularia. Estávamos conversando como algumas pessoas dizem que somos uma banda de Power Metal e ele entendeu no meio do nosso português que falávamos “Power Metal” várias vezes (risos). Então ele disse “Vocês não são Power Metal. Vocês são Heavy Metal, moderno, pesado e simplesmente Heavy Metal.” Depois estávamos discutindo sobre timbres, arranjos, mencionando os nomes de algumas bandas e de repente escutamos Fredrik gritando “Shadowside!” (risos) A personalidade ficou ainda mais madura agora, estamos cada vez mais confiantes com relação ao que é Shadowside. As músicas estão soando extremamente pesadas, intensas, com guitarras nervosas porém bonitas e as melodias estão bem marcantes. Mantivemos a energia crua que sempre tivemos também. O novo álbum será uma mistura dos nossos trabalhos anteriores, com a agressividade do Theatre of Shadows e a objetividade do Dare to Dream, mas com novidades, com coisas que nunca fizemos antes. É mais um degrau acima musicalmente.

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ROCKS – Com essas viagens pelo mundo, pinta aquela saudade de casa, família e do Brasil?Como vocês lidam com isso?

Dani – É uma sensação esquisita para mim… eu sinto saudade de casa, mas ao mesmo tempo fico triste por abandonar a vida na estrada quando está chegando a hora de voltar. É uma mistura de sentimentos estranha e para mim, essa divisão é a parte mais complicada de viajar tanto. Você está sempre com um pedacinho do coração em cada lugar. Eu não me sinto mais com uma casa só, me sinto pertencente ao mundo (risos). Durante uma turnê, eu fico tão imersa naquele mundo que quando estava no avião voltando para o Brasil, fiquei pensando sobre como seria ao chegar em casa… eu não lembrava mais nem da cor das paredes da casa ou dos tapetes dos quartos e nem ficamos fora por tanto tempo assim, mas a turnê é uma experiência intensa, você come, dorme e respira a banda, porque não existe tempo para outra coisa. Depois do show viajamos durante a noite e normalmente chegamos praticamente na hora de começar a passagem de som. Quando eu parava para pensar, eu lembrava de tudo que me esperava no Brasil e dava aquela saudade… assim como agora que estamos gravando na Suécia. Mas quando estou em casa, fico pensando na vida na estrada e dá uma saudade… então troco emails com os rapazes da banda e todos nós falamos que não vemos a hora de viajar de novo (risos). É uma vida cansativa e você perde qualquer oportunidade de ter uma convivência normal com as pessoas próximas, então precisa realmente gostar muito de tudo isso pra aguentar. Gostar de verdade… ser apaixonado por esse estilo de vida. Ter a compreensão da família e dos amigos também é importante. Do contrário, é impossível lidar com as dificuldades e com a solidão que às vezes bate na estrada. Por mais que você tenha os companheiros de banda, muitas vezes você quer e precisa da companhia das pessoas que moram com você. A internet salva vidas nesses momentos (risos).

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ROCKS – A Shadowside tocou com o Primal Fear aqui em Porto Alegre em 2002. O que você recorda desse show e do público gaúcho?Tem alguma previsão de shows por aqui? E no geral ,como é a agenda da banda para 2011?

Dani – Foi um dos melhores shows que já fizemos! Eu gosto muito do público gaúcho e uma das minhas melhores amigas é gaúcha e mora em Porto Alegre. Eu espero voltar logo, estivemos perto de fechar datas na cidade desde 2002, mas a distância sempre foi um fator que atrapalhou a confirmação do show. Ainda não temos shows marcados para 2011 porque precisamos terminar o álbum e definir a data de lançamento, mas com certeza faremos apresentações no Brasil este ano, assim como alguma coisa no exterior deve acontecer também.

ROCKS – Desde o inicio, em 2001, lá em Santos, até agora, pelo mundo, o que mudou na tua vida? Faz um pequeno balanço.

Dani – Na minha vida, sinceramente, nada mudou. Eu apenas estou fora de casa por mais tempo… mas minha vidinha, minha rotina, tudo isso continua a mesma coisa e eu não pretendo mudar isso. Me cerco de pessoas que me mantém no chão. Quando eu terminei o Ensino Médio, imediatamente passei a me dedicar por inteiro ao trabalho com a música. Fiz alguns cursos de inglês que deram certificados de tradutora, apenas para mostrar para meus pais que tinha um plano B (risos). Mas o que estudei a fundo foi a indústria da música, procurei observar o que outras bandas faziam que dava certo e o que dava errado. Então o que mudou na minha vida é que na época eu tinha uma grande preocupação com o futuro porque não sabia se todo esse tempo que eu “perdi” me preparando teria algum resultado. Hoje eu me divirto mais (risos). Mas eu continuo fazendo as mesmas coisas, gosto de esportes, de ler, vou ao cinema de vez em quando, salvo o mundo jogando videogame (risos). Talvez eu tenha ficado um pouco menos tímida, ao menos em algumas situações… mas as mudanças que aconteceram na minha vida foram apenas profissionais.

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ROCKS – Encerrando a entrevista, quero novamente agradecer Dani a atenção e disponibilidade. Gostaria que você deixasse uma mensagem para os fãs e para os leitores do Rocksblog.

Dani – Obrigada pelo espaço, espero que todos tenham começado o ano muito bem e que não demore muito para que nos vejamos em algum show! Fiquem atentos pois teremos mais novidades em breve e manteremos todos atualizados sobre o que está acontecendo aqui no estúdio. Abraços a todos.

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Myspace da banda: www.myspace.com/shadowsideband

Tags: Entrevista, rocksblog, Shadowside

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Sobre o autor:

Eduardo Escobar:
Paulistano, trabalha com TI e é um eterno estudante de Ciência da Computação. Vocalista nas horas vagas, foi iniciado pelo Iron Maiden há muito tempo, curte Futebol, Truco, Poker, Stoner/Sludge/Doom Metal mas não dispensa bandas de outras vertentes. Aqui na A ILHA DO METAL, é responsável pela parte administrativa do site, mas também publica conteúdo.@eduescobar Facebook

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