Cinema da Ilha – Stalingrado: Uma batalha, duas visões distintas

Caros leitores, já faz um tempo que estou pensando em criar este post, mas por falta de tempo e também por um pouco de preguiça, só pude finalmente desenvolvê-lo agora. Pelo título da matéria, pode-se perceber que se trata de não um, mas sim dois filmes; pois é, depois de tanto tempo sem que a Ilha divulgasse, hoje teremos dose dupla.
Sempre fui fascinado por História Contemporânea, principalmente pelos anos que envolvem o principal confronto do século XX: a Segunda Guerra Mundial. Existem centenas de produções cinematográficas que retratam o evento, as quais agradam todas as pessoas. A substancial parcela desses filmes vem do eixo “hollywoodiano” do cinema, o qual em 90% das vezes, procura focar os Estados Unidos ou o soldado estadounidense como os grandes heróis, os verdadeiros libertadores dos fracos e oprimidos da Segunda Grande Guerra.
Entretanto, hoje vou citar dois ótimos filmes que fogem completamente do teatro de guerra norte-americano, que desmascaram o mito de que o soldado soviético e o soldado alemão são os inimigos da história. Ambos retratam aquela que é considerada a batalha mais sangrenta da história das guerras: a batalha de Stalingrado, na antiga União Soviética, que envolveu as forças militares da Alemanha nazista e da União Soviética de Josef Stálin. Estima-se que morreram mais de 2 milhões de soldados nessa batalha. Trata-se de Enemy at the Gates (Círculo de Fogo no Brasil) e Stalingrad (Stalingrado – Batalha Final).
O primeiro, Enemy at the Gates, de 2001, é uma produção envolvendo quatro países, conta com um elenco no mínimo destruidor – Jude Law (Cold Mountain, A.I.), Ed Harris (Appaloosa, The Truman Show, Apollo 13), Rachel Weisz (The Mummy, Constantine), Joseph Fiennes e Bob Hoskins, entre outros – e com o diretor francês Jean-Jacques Annaud (Der Name der Rose, Seven Years in Tibet). Retrata uma União Soviética frágil, pobre e desmotivada, e a cada dia mais refém da potência militar que é o exército de Hitler. Eis que surge  o jovem camponês Vasily Zaitsev (Law) na desolada Stalingrado e, em meio a um cenário de destruição e mortes, salva a vida do comissário político Danilov (Joseph Fiennes), o qual transforma Vasily num ícone e exemplo a ser seguido para motivar todo o exército vermelho. Ao passo que os alemães perdiam mais e mais soldados pelas mãos do jovem atirador, é enviado a Stalingrado o experiente major König (Harris), para derrotar Zaitsev. A partir disso, passa-se a travar uma batalha furtiva de tirar o fôlego pelos escombros de Stalingrado. Uma história que envolve honra, amor, traição e muito sangue, mas muito sangue!
Trailer de Enemy at the Gates

Stalingrad, também um drama de guerra, é uma produção alemã, de 1993, tendo como diretor Joseph Vilsmaier. É um filme bem mais modesto que o primeiro, não tendo a qualidade dos efeitos visuais e sonoros de Enemy at the Gates. Porém, supera e muito na qualidade da interpretação e do enredo do filme. A produção conta a história de um pequeno batalhão de soldados alemães que, muito confiante por conquistar inúmeras batalhas ao norte da África, passa a se desmotivar com o passar do tempo. Os soldados começam a questionar os verdadeiros valores da guerra e, com isso, a unidade da antes imbatível máquina de guerra alemã começa a ser dissolvida. Eles perdem amigos, familiares, confiança, a fé. O enredo do filme é todo transcrito sobre o cenário extremamente fiel à antiga Stalingrado. O interessante é que desmistifica a questão do soldado alemão “nazista”, mostrando que o soldado muitas vezes luta muitas vezes por seus próprios ideais ou apenas por seu soldo e não pelo idealismo de governos.
Trailer de Stalingrad
São dois bons filmes para quem gosta de história. As vezes é muito bom sair do arroz-com-feijão norte americano dos soldados Ryans da vida. Afinal, em uma guerra, não existe lado bom e lado ruim. Existem apenas soldados e civis tentando sobreviver as custas de ideais muito distantes dos seus. Enfim, saboreie-os da melhor forma possível!