Biblioteca da Ilha – Edgar Allan Poe

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Criador dos gêneros de terror, suspense e romances policiais, este escritor teve uma vida tão misteriosa e interesante quanto suas mais intrigantes personágens.

Este ocupante do “panteão literário da lingua inglesa” nasceu em Boston, Estados Unidos, dia 19 de janeiro de 1809 e era filho de pais atores que, com a morte da mãe, foi entregue aos cuidados de um próspero comerciante em Richmond (John Allan), homem generoso mas de mentalidade pequena que batizou Poe (transforamando ele em Edgar Allan Poe) mas nunca o adotou legalmente. A sra. Allan era como uma apaziguadora na vida do, então, pequeno Edgar.

Poe teve sorte de ter boa educação escolar, e chegou a frequentar (por menos de um ano) a Universidade de Virgínia, mas por causa das dívidas (que seu tutor insistia em não pagar, mesmo tendo dinheiro para tal) que fazia com bares e comerciantes da região, Poe fugiu, largando os estudos.

Um ano depois, em 1827, vivendo de “bicos” em Boston, Poe publica seu primeiro livro, “Tarmelão e outros poemas”, assinando simplesmente “Um Bostoniano”. Infelizmente o livro não lhe trouxe glórias, ou dinheiro algum, obrigando o então pobre e faminto Poe a servir no Exército, de onde (por uma carta recomendação de John Allan) parte para West-Pointo. Pouco tempo depois, o jóvem cadete provoca um incidente mal explicado com um superior hierárquico e vê-se novamente na rua. O acontecimento, que enrraiveceu profundamente John Allan, acaba por romper finalmente as relações entre tutor e tutelado.

Até 1831, data em que aparece seu segundo livro, “Poemas”, Poe levava uma vida dificílima, privado até mesmo do indispensável. Contudo, a maré muda quando, concorrendo com o “Manuscrito encontrado numa garrafa”, Poe ganha o primeiro premio (que além dos dólares, eram as amizades literárias e os contatos no ramo) de um concurso de contos promovido por uma revista literária de renome. Por meio dessas, conseguiu uma vaga de redator no “Southern Literary Messenger”, que então era uma revista não muito famosa, mas que graças ao talento de Poe, vira uma revista nacionalmente conhecida. Assim, Poe (por não muito tempo) teve sua vida estabilizada e casou-se com sua prima Virgínia Clemm (“menina-môça de frágil silhueta e saúde precária, como convinha à companheira de um Poeta”).

Cerca de um ano depois de seu casamento, ocorre o rompimento definitivo de Poe com o proprietário da Messenger, fato que leva Poe (juntamente de sua esposa) à Nova Yorque, onde ele é novamente ignorado pela classe literária.

nevermoreDaí para frente, sua biografia fica cada vez menos clara. Ora tem registros dele residindo em Nova Yorque, ora em Filadélfia. Onde, em ambos lugares, ele atuava como editor ou articulador de jornais pequenos. Os anos de imprensa acabam por cair de modo negativo sobre suas obras (quase tudo que ele produzia por esta época traz a pressa jornalística, que deixa transparecer um descuido com o tratamento e nos recursos usados) mas, em 1840, Poe consegue lançar um primor (“Contos do Grotescos e do Arabesco”), de onde três anos mais tarde põe alcança êxito nacional, lançando “O Escaravelho de Ouro”. E em 1945, finalmente surge “O Corvo e outros poemas” (seu livro mais vendido, obra que co-define Allan Poe).

Em 1847 morre Virgínia Clemm, e com a morte de sua esposa, vem o declínio de Poe e dois anos depois, este também perece.

Especula-se que durante estes dois anos que se passaram, ele teve 3 ou 4 casos amorosos e que no ano de sua morte, pretendia se casar pela segunda vez. Encontrado perambulando (em visível estado de confusçao mental) numa estrada em Baltimore, Poe foi levado ao hospital mas faleceu dias depois, em outubro de 1949. A causa de sua morte nunca foi explicada (afinal, quem se interessa pela morte de um bêbado, então, louco).

Em uma linha tênue que varia do aclamado ao rejeitado, o que não se pode negar é, que em sua obra Poe criou os arquétipos dos contos de horror. Explorando de mitologias que até então eram ignoradas na literatura, à psique humana.

Contendo, quase sempre, casas velhas no meio de lugar algum com cômodos grotesca e bizarramente decorados, os contos fantásticos de Poe já foram (por muito tempo) taxados de repetitivos e ignorados pela classe literária, mas hoje em dia já tem reconhecidos sua importância para a literatura mundial.

Um grande autor que, por meio dos animais de seus contos, se expressava em todos seus alteregos, tornando assim, seus contos e poemas mais expressivos. Leitura mais que recomendada.